ETA diz que desarmamento não está descartado

O grupo separatista basco ETA anunciou nesta quinta-feira mais um passo rumo ao fim da sua luta armada contra o Estado espanhol ao declarar sua disposição em negociar a entrega das suas armas.

REUTERS

10 de novembro de 2011 | 20h48

O anúncio, em entrevista ao jornal basco Gara, ocorre poucas semanas depois de o ETA anunciar um cessar-fogo definitivo.

A guerrilha vinha se enfraquecendo nos últimos anos devido à prisão de centenas de militantes e à perda de apoio popular. Em mais de quatro décadas de luta armada pela independência do País Basco (dividido entre o norte da Espanha e o sudoeste da França), o ETA matou mais de 800 pessoas.

"Depor armas está na pauta, e o ETA está disposto a aceitar compromissos", disseram porta-vozes do ETA na entrevista ao Gara, que será publicada na íntegra na edição de sexta-feira.

Em outubro, o ETA propôs aos governos da Espanha e da França para iniciarem uma negociação destinada a acabar com o último conflito armado importante envolvendo guerrilheiros na Europa.

Nem Madri nem Paris responderam formalmente à proposta. O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que o gesto do ETA seria irrelevante sem a entrega das armas. O ETA já declarou e descumpriu tréguas no passado.

As pesquisas mostram que o eventual fim do conflito separatista basco não deve afetar o resultado da eleição de 20 de novembro, em que o Partido Popular (conservador) é favorito para tirar os socialistas do poder. O desemprego e os cortes de gastos públicos são os principais assuntos da atual campanha eleitoral.

Caberá ao eventual governo do PP negociar os detalhes do acordo de paz, incluindo o destino dos arsenais do ETA, caso haja uma decisão pela entrega das armas.

(Reportagem de Sonya Dowsett e Inmaculada Sanz)

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