ETA retoma atentados com carro-bomba na Espanha

Ataque a posto policial no País Basco fere dois policiais após três meses do fim da trégua oficial

Agências internacionais,

24 de agosto de 2007 | 08h35

Três meses após o fim da trégua oficial da ETA, um carro-bomba explodiu nesta sexta-feira, 24, no lado de fora de um posto policial na cidade de Durango, no País Basco. A explosão feriu levemente dois policiais e causou vários danos materiais, segundo informou o Ministério do Interior basco.   O veículo foi estacionado nos fundos do quartel por um homem encapuzado que saiu correndo, segundo fontes da luta antiterrorista. Câmeras de segurança do quartel registraram o fato.   Uma hora e meia depois do atentado, os supostos autores do atentado explodiram na localidade vizinha de Amorebieta outro automóvel, com placa de Portugal. Segundo o jornal espanhol El Pais, a suspeita é de que o carro tenha sido utilizado na fuga de Durango e tenha sido realizada para evitar que provas fossem encontradas.   O incidente pode indicar que o grupo terrorista tem algum tipo de infra-estrutura em Portugal. Segundo fontes da investigação, os terroristas alugaram o veículo em maio deste ano na cidade portuguesa de Cuarteiras e não o devolveram.   O Partido Socialista condenou o atentado e afirmou que o grupo separatista ETA, que reivindicou o ataque, "não obterá nenhum benefício político violando a normalidade democrática e a legalidade".   A Comissão Executiva do partido acrescentou em nota que "o peso da lei se abaterá" sobre os responsáveis pela explosão, que "reforça nossa determinação em lutar contra essa organização terrorista". Fim do cessar-fogo   A ETA determinou a trégua em março de 2006, mas frustrado com a falta de concessões por parte do governo durante conversações de paz, detonou uma bomba num estacionamento do aeroporto de Madri em dezembro do ano passado, matando duas pessoas.   Mesmo com o atentado, o grupo afirmou que o cessar-fogo estava mantido, mas acabou anunciando em junho o fim do acordo. Desde então, as forças de segurança espanholas têm se mantido em alerta. Imediatamente depois do atentado, o chefe de governo, José Luis Zapatero, anunciou a suspensão do processo de diálogo. Desde então, as forças de segurança espanholas mantêm um estado de alerta máximo para possíveis ações terroristas da ETA. Na quarta-feira, o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou que a ETA planejou vários atentados desde que rompeu o cessar-fogo. Desde o fim da trégua da ETA, as forças de segurança detiveram 20 supostos membros do grupo e apreenderam abundante material. Onze supostos membros foram entregues à Espanha, sendo 10 pelas autoridades francesas e um pelo México. Em 2 de julho passado, três supostos membros da ETA foram detidos no sul da França com uma caminhonete transportando 165 quilos de explosivos. Pouco mais de uma semana antes, em 21 de junho, um comando terrorista abandonou um automóvel com mais de 100 quilos de explosivos na localidade espanhola de Ayamonte, perto da fronteira com Portugal. Mais recentemente, em 19 de julho, ao perceber a presença de um controle policial, um suposto membro da ETA abandonou uma marmita com detonadores e substâncias explosivas num táxi na província de Castellón. Na França, no dia 13 de agosto, a Polícia encontrou explosivos, armas e outros materiais da ETA numa garagem de Biarritz.   O atentado desta sexta é o terceiro contra o quartel dos guardas civis em Durango. Em 9 de setembro de 1982 a ETA causou danos materiais com um disparo de lança-granadas. Em 31 de março de 1984, atacou com tiros de metralhadora e três granadas.   A organização terrorista causou mais de 850 mortes desde meados dos anos 60, quando começou sua atividade violenta pela independência do País Basco.   Matéria ampliada às 13h50.

Tudo o que sabemos sobre:
ETAEspanhaatentado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.