EUA aceitam libertar cidadão britânico preso em Guantánamo

Reino Unido pedia soltura de Binyam Mohamed desde 2007; preso há cinco anos, ele diz ter sido torturado

Reuters,

20 de fevereiro de 2009 | 16h00

Os Estados Unidos concordaram em libertar Binyam Mohamed, morador do Reino Unido mantido na prisão da Baía de Guantánamo nos últimos cinco anos sem acusação formal, informou o Gabinete de Relações Exteriores do Reino Unido nesta sexta-feira, 20. A decisão segue-se a uma solicitação formal do Reino Unido aos EUA feita em agosto de 2007, pedindo para que os cinco moradores britânicos remanescentes na prisão em Cuba fossem libertados.   Veja também: Tribunal veta libertação de 17 presos de Guantánamo Saiba mais sobre a base naval de Guantánamo Três já estão em liberdade, e desde que o presidente Barack Obama subiu ao poder, esforços extras foram feitos para garantir a libertação de Mohamed, que é cidadão egípcio. Um quinto detido, Shaker Aamer, é considerado uma ameaça e permanecerá sob custódia.    "Os governos britânico e norte-americano chegaram a um acordo sobre a transferência do sr. Binyam Mohamed da Baía de Guantánamo para o Reino Unido", disse o Gabinete de Relações Exteriores em um comunicado. "Ele voltará assim que forem feitos os arranjos práticos." Um oficial do governo norte-americano, falando sob a condição de anonimato, disse que Mohamed poderá ser transferido já na segunda-feira. Seria a primeira transferência de um prisioneiro de Guantánamo desde que Obama, que prometeu fechar a prisão, assumiu o poder. Mohamed, de 30 anos, foi preso no Paquistão em abril de 2002. Ele diz ter sido torturado e abusado por agentes estrangeiros enquanto permaneceu preso ali e mais tarde levado ao Marrocos em um avião da CIA, onde novamente teria sido torturado antes de ser transferido para Guantánamo em 2004. Os EUA negam que ele tenha sido submetido a "rendição extraordinária" e o Marrocos sempre negou que o tenha detido no país. Ele é acusado de treinar em campos da Al-Qaeda no Afeganistão e de planejar a explosão de uma bomba radioativa nos EUA, mas nenhuma acusação formal contra ele foi feita. O caso de Mohamed tem recebido ampla cobertura na Grã-Bretanha. Este mês, a Alta Corte da Grã-Bretanha decidiu que a evidência da tortura a que foi submetido permaneça em sigilo, depois de os EUA afirmarem que a sua divulgação poderia ameaçar a cooperação no setor de inteligência entre Washington e Londres.  

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