EUA anunciarão pacote de US$ 1 bi para reconstruir a Geórgia

Anúncio deve ser confirmado no mesmo dia em que o vice-presidente iniciou giro por países vizinhos da Rússia

Agências internacionais,

03 de setembro de 2008 | 12h27

A administração Bush planeja anunciar um pacote de US$ 1 bilhão para ajudar a reconstruir a Geórgia depois da incursão russa em agosto, segundo disseram oficiais do governo nesta quarta-feira, 3, ao jornal americano The New York Times. A afirmação foi feita no mesmo dia em que o vice-presidente Dick Cheney desembarcou iniciou seu giro pela região em sinal de apoio à Geórgia e outros países vizinhos da Rússia.   Veja também: Parlamento exige saída de tropas russas da Geórgia Rússia não teme exclusão do G8, diz Medvedev Entenda o conflito separatista na Geórgia   A ajuda financeira, assim como a visita de Cheney, certamente ampliarão as tensões com a Rússia, cujos líderes acusam os EUA de incentivarem o conflito da Geórgia contra as duas províncias separatistas pró-Moscou, fornecendo armas e treinando militares - o Exército georgiano recebeu treinamento americano para integrar as forças da coalizão americana no Iraque. O presidente russo, Dmitri Medvedev, e o ex-presidente e primeiro-ministro Vladimir Putin afirmaram que entre os suprimentos entregues pela Marinha e Força Aérea americana foram uma desculpa para entregar novas armas. Oficiais de Washington negam a acusação.   O pacote de ajuda, que deve incluir financiamento para reconstruir a infra-estrutura e a economia da Geórgia deve ser detalhado ainda nesta quarta pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. O presidente Bush também deve emitir comunicado sobre a crise. Ainda não está claro que o pacote que será anunciado incluirá qualquer tipo de suporte militar, o que é cogitado por oficiais. A ajuda reflete a intensificação do apoio de Washington ao governo georgiano, enquanto o presidente Bush e seus aliados não definem as ações punitivas contra a Rússia.   Cheney chegou ao Azerbaijão para a primeira das três escalas que fará na região das ex-repúblicas soviéticas. O vice-presidente deve visitar a Geórgia na quinta-feira, e em seguida a Ucrânia. A viagem tem significado relevante para o conflito no Cáucaso, que começou no dia 7 de agosto quando forças georgianas atacaram a Ossétia do Sul para tentar retomar o controle da província, ação respondida com a invasão russa em defesa dos separatistas. Apesar do cessar-fogo assinado entre os dois países, as forças russas ainda não deixaram partes do território georgiano nos arredores da Ossétia e na Abkházia, outra região com aspirações separatistas. Moscou ainda reconheceu na semana passada a declaração de independência das duas regiões, medida rechaçada pela comunidade internacional.   O Azerbaijão, assim como a Geórgia, integrou a República Soviética e conta com o apoio do Ocidente e dos EUA, além de ser um país considerado rota vital para o gás e o petróleo extraído no Mar Cáspio. Atualmente, petróleo extraído do mar Cáspio é transportado para o Ocidente através de um oleoduto que sai do Azerbaijão, atravessa a Geórgia e termina na Turquia, sem passar pela Rússia. Segundo a BBC, o governo americano não quer que todo o petróleo e gás enviado para o Ocidente passem por gasodutos e oleodutos que atravessam a Rússia.   Além do oleoduto Baku-Tblissi-Ceyhan, financiado pelo Ocidente, há planos para a construção de um gasoduto para transportar gás do Azerbaijão e da Ásia Central até a Áustria, atravessando a Turquia, a Romênia e a Hungria. O projeto, chamado Nabucco, é considerado vital para garantir que os EUA e a União Européia não se tornem ainda mais dependentes da energia de Moscou. No entanto, a Rússia parece não estar preparada para ver sua influência diluída na região e tem um projeto rival para a construção de outro gasoduto, que passaria pelo território russo.   FMI   O Fundo Monetário Internacional (FMI) fechou um acordo preliminar para oferecer um apoio financeiro de US$ 750 milhões para a Geórgia. O acordo, que possui duração de 18 meses, precisa ser aprovado pelo conselho executivo do FMI. A votação deve ocorrer ainda em setembro, informou a instituição em um comunicado.   A linha de crédito "tem como objetivo amparar as políticas econômicas das autoridades georgianas e minimizar as conseqüências adversas do recente conflito sobre a economia e as finanças", acrescentou o FMI, referindo-se à invasão russa no país, ocorrida em agosto. O crédito ajudará a cobrir o déficit nas contas externas e a elevar a confiança do mercado e dos investidores na economia do país.

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