EUA criticam Rússia por suposta venda de armas à Síria

Os Estados Unidos descreveram na quinta-feira a nova venda de armas da Rússia à Síria como "repreensível", depois de uma entidade de direitos humanos relatar a chegada ao país árabe, no fim de semana passado, de um navio carregado de material bélico enviado por Moscou.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

31 Maio 2012 | 19h33

Funcionários ocidentais confirmaram a informação fornecida pela ONG Human Rights First. "Bancos de dados da navegação atualizados hoje mostram que o (navio) Professor Katsman de fato atracou em 26 de maio de 2012 no porto de Tartus (Síria), antes de seguir para Pireus, na Grécia", disse à Reuters a ativista Sadia Hameed.

Um diplomata ocidental disse à Reuters que o carregamento incluía armas pesadas, mas não ficou imediatamente claro qual tipo de arma foi entregue. O regime sírio há 14 meses reprime com violência manifestações por democracia.

Um porta-voz da missão síria na ONU disse que irá examinar a questão.

Em carta ao Conselho de Segurança da ONU na semana passada, o secretário-geral Ban Ki-moon disse ter recebido relatos de que países estariam fornecendo armas ao governo e a rebeldes. Ele pediu aos governos nacionais que não armem nenhuma das partes em conflito.

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, usou termos duros contra a Rússia, importante aliada de Assad. "Isso é absolutamente de máxima preocupação, dado que o governo sírio continua a usar a força letal contra civis", afirmou ela a jornalistas.

"Não é tecnicamente, obviamente, uma violação do direito internacional, já que não há um embargo armamentista", afirmou ela. "Mas é repreensível que armas continuem a fluir para um regime que está usando uma força tão terrível e desproporcional contra o seu próprio povo."

Na semana passada, mais de 100 pessoas -inclusive mulheres e crianças- foram mortas na localidade síria de Houla, num massacre que a ONU disse ter sido aparentemente realizado pelo Exército e por milícias aliadas do governo. Damasco acusou os rebeldes de cometerem a atrocidade.

Hameed disse que a Human Rights First monitorou o navio entre 23 e 30 de maio, e que no dia 26 seu transponder (instrumento de localização) foi desligado. Um diplomata ocidental disse que desligar esse aparelho é uma violação dos regulamentos da Organização Marítima Internacional.

A ativista disse também que autoridades portuárias sírias e russas se recusaram a revelar o conteúdo da carga.

A TV Al Arabiya foi a primeira a noticiar o carregamento de armas, na semana passada. Um diplomata ocidental que confirmou o relato na ocasião disse que o navio pertence a uma firma maltesa, a qual por sua vez é controlada por russos, por meio de uma subsidiária cipriota.

(Reportagem adicional de Mark Hosenball em Washington e Michelle Nichols em Nova York)

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