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EUA e Rússia fecham acordo sobre redução de arsenal nuclear

Moscou também autoriza uso de seu espaço aéreo para o trânsito de tropas e armas dos EUA para o Afeganistão

06 de julho de 2009 | 12h14

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, DmitrI Medvedev, assinaram nesta segunda-feira, 6, uma declaração conjunta por meio da qual prometem buscar um novo acordo de redução de seus arsenais nucleares em substituição ao START, de 1991, anunciou a Casa Branca. Ao mesmo tempo, a Rússia autorizou nesta segunda-feira o uso de seu espaço aéreo para o trânsito de tropas e armas dos Estados Unidos com destino ao Afeganistão, diz uma nota sobre os acordos selados nesta segunda, durante a primeira visita oficial de Obama à Rússia.

Os acordos militares e uma série de outro convênios foram anunciados depois de  Obama e Medvedev se reunirem por cerca de quatro horas no Kremlin na tarde desta segunda-feira. A meta do futuro acordo referente aos arsenais atômicos estratégicos será reduzir o número de ogivas nucleares mantidas pelos dois países a algo entre 1.500 e 1.675.

"Os presidentes assinaram uma declaração conjunta de entendimento para um acordo para suceder o START por meio do qual ambas as partes se atenham a um tratado com força de lei para reduzir os arsenais nucleares", diz a nota da Casa Branca. "Um acordo sucessor do START sustenta diretamente os objetivos delineados pelo presidente (Obama) durante seu discurso em Praga e demonstrará a liderança de Estados Unidos e Rússia na implementação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)", prossegue o documento.

O START e o chamado Tratado de Moscou, ambos atualmente em vigor, limitam os arsenais atômicos estratégicos dos dois países a 2.200 ogivas. A validade do START expira em dezembro. Os dois líderes assinaram também outros sete acordos, entre eles um pelo qual Rússia permitirá a passagem por seu território de mantimentos para as tropas americanas no Afeganistão. Também decidiram trabalhar na cooperação contra a proliferação nuclear e na criação de uma comissão bilateral que será responsável por coordenar as medidas dos dois países em âmbitos como o combate ao terrorismo e ao narcotráfico, e a energia e o meio ambiente.

 

Afeganistão

 

A Rússia concordou em permitir o trânsito aéreo de soldados e armas dos Estados Unidos sobre seu território para chegar ao Afeganistão, uma medida saudada por Washington como uma valiosa contribuição de ajuda às Forças Armadas dos EUA que lutam contra o Taleban. O pacto permite que 4.500 soldados norte-americanos voem anualmente sobre a Rússia sem nenhum encargo extra, informou uma autoridade norte-americana.

 

"Este acordo permitirá que os EUA diversifiquem as rotas cruciais de transporte usadas para movimentar as tropas e reabastecer as forças internacionais com equipamentos críticos no Afeganistão", informou a Casa Branca em um comunicado. "Ao prover acesso a estas rotas de trânsito, a Federação Russa está permitindo um aumento substancial na eficiência de nossos esforços comuns para derrotar as forças de violência extremistas no Afeganistão e garantir a segurança no Afeganistão e na região fronteiriça", informou o comunicado.

 

As novas rotas de trânsito são tão importantes aos Estados Unidos quanto as rotas existentes no Paquistão, que têm sido atacadas pelos militantes. As rotas russas irão poupar os Estados Unidos em mais de 133 milhões de dólares anualmente em combustível e outras despesas, informou a Casa Branca. O acordo será válido por um ano, com renovações automáticas ilimitadas se ambos os lados concordarem, informou uma autoridade norte-americana, acrescentando que o pacto requer ratificação do parlamento russo.

 

Escudo antimísseis

 

Medvedev sugeriu a criação de um escudo antimísseis capaz de proteger todos os países do mundo. A proposta foi uma resposta à declaração de Obama sobre a disposição dos EUA de colaborar com a Rússia na instalação de um escudo antimísseis contra possíveis ataques de outros países. "O número de ameaças, inclusive as relacionadas a mísseis balísticos e de médio alcance, infelizmente não diminui. Cresce e todos devemos pensar na configuração que poderia ter um sistema antimíssil global", declarou Medvedev.

 

Neste sentido, destacou o acordo entre as partes de examinarem juntas os armamentos ofensivos e defensivos de que dispõem. "Chegamos a um acordo sobre o nível máximo tanto para (mísseis) portadores como ogivas. Também combinamos que os armamentos ofensivos e defensivos de ambas as partes serão examinados em conjunto", disse o presidente russo.

 

Numa referência ao governo Bush, Medvedev declarou que "até agora (os EUA) só diziam que as decisões já tinham sido tomadas". "Agora, nossos parceiros americanos tiraram uma pausa" para reavaliar o projeto do escudo antimísseis, herdado da Administração anterior.

 

O plano americano de instalar um escudo antimísseis na Europa, disse Medvedev, "é um tema bastante complicado para as conversas" de agora. Porém, as partes deram um "passo adiante" nesta segunda-feira, ao constatarem a "relação recíproca entre armamentos ofensivos e defensivos". "Até pouco tempo atrás, as divergências nestas questões eram totais", ressaltou o chefe de Estado russo, para quem o novo enfoque permite "avanços na aproximação de ambas as posições".

 

Obama e Medvedev decidiram encomendar a uma comissão conjunta de especialistas uma análise sobre os perigos dos mísseis balísticos, para tentar resolver sua disputa sobre o escudo que os Estados Unidos quer posicionar no Leste Europeu. Em comunicado conjunto, os dois presidentes afirmam que seus respectivos países "planejam continuar o debate sobre a cooperação na resposta ao desafio da proliferação de mísseis balísticos".

 

Os EUA e a Rússia, sustentam, "intensificam sua busca das melhores maneiras para fortalecer as relações estratégicas baseadas no respeito e nos interesses mútuos". Assim, indicam que encomendaram a uma comissão conjunta de especialistas dos dois países "analisar os desafios dos mísseis balísticos no século XXI e preparar as recomendações apropriadas".

 

Essa comissão deverá dar prioridade "ao uso de métodos políticos e diplomáticos", dizem os líderes na nota. Além disso, planejam uma revisão conjunta dos meios para cooperar na supervisão dos programas de mísseis no mundo todo"Pedimos a todos os países que tiverem o potencial de (fabricar) mísseis que se abstenham de medidas que poderiam levar à proliferação e prejudicar a estabilidade regional e global", explicam os dois líderes.

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