EUA enviam ajuda para Geórgia e pressionam Rússia

Avião com mantimento chegou à ex-república soviética; Rice deve discutir hoje crise com Sarkozy

Reuters

14 de agosto de 2008 | 02h22

O exército dos Estados Unidos começou a enviar ajuda humanitária para a Geórgia na madrugada desta quinta-feira,14. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, está a caminho da ex-república soviética e deve discutir o conflito no Cáucaso com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Ontem, a Rússia rompeu o cessar fogo estabelecido na véspera com uma operação militar na cidade de Gori, na Geórgia.   Veja também: Rússia ficará mais isolada se violar cessar-fogo, diz Rice Rússia diz que derrubou três aviões espiões da Geórgia Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia O presidente americano, George W. Bush, exigiu que Moscou coloque um ponto final na crise. "Os EUA apóiam o governo democrático da Geórgia. Insistimos que a integridade territorial e a soberania do país devem ser respeitados", disse Bush em entrevista na Casa Branca.O conflito entre Rússia e Geórgia começou há uma semana, quando tropas russas invadiram a ex-república soviética em defesa da província separatista da Ossétia do Sul. Um acordo de paz foi costurado na quarta-feira por Sarkozy, mas ontem a Geórgia acusou a Rússia de violar a trégua. Ainda na quarta, o governo da Rússia reconheceu que soldados do país desmontaram e destruíram equipamentos militares encontrados em uma base da Geórgia perto da cidade de Gori, que fica a cerca de 25 quilômetros da região separatista da Ossétia do Sul. Um comunicado divulgado pelas Forças Armadas russas diz que a medida foi tomada para desmilitarizar a região.Um comboio de cerca de 60 veículos militares russos foi visto também nesta quarta-feira numa estrada ao sul de Gori que leva à capital georgiana, Tbilisi - mas Moscou negou a alegação de que suas forças estivessem avançando rumo à capital. Testemunhas que abandonaram Gori disseram que a cidade tem sido palco de saques e ataques a tiros supostamente realizados por separatistas ossetianos. Um avião militar americano chegou a Tbilisi com mantimentos e uma segunda carga é esperada para esta quinta-feira. Bush espera que a Rússia permita a entrada de ajuda humanitária na Geórgia e pediu que as linhas de comunicação e transportes do país O conflito na região, vital para o transporte de petróleo e gás do Mar Cáspio para a Europa, irritou os EUA, a União Européia e deixou investidores nervosos. A Rússia diz que 1,6 mil civis foram mortos na Ossétia do Sul durante o ataque georgiano e que 74 soldados foram mortos, mas não há fontes independentes que confirmem este número. Segundo o governo de Tbilisi, há 175 vítimas civis, sem contar os mortos na província rebelde. A Human Rights Watch, uma ONG de direitos humanos baseada nos Estados Unidos com escritório na Geórgia, afirmou que seus funcionários testemunharam saques em vilas georgianas na Ossétia do Sul - cuja maioria da população é russa. Em Moscou, o chanceler russo, Sergei Lavrov, criticou estas ações. "Disse desde o começo que se estes fatos forem comprovados reagiremos seriamente. A população civil deve ser protegida. Vamos investigar".

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