EUA mancham imagem da Rússia e rejeitam amizade, diz Putin

O presidente russo, Vladimir Putin,acusou os Estados Unidos de tentarem abalar a imagem da Rússiapara ampliar sua dominação global e disse que Washingtonignorou as tentativas de Moscou no sentido de estabelecer umaamizade. Em entrevista à revista Time, que na quarta-feira o elegeu"Homem do Ano", Putin disse que Washington adotou a estratégiade menosprezar a Rússia a fim de tentar influenciar a políticainterna e externa do país. "Acredito que esta seja uma tentativa obcecada de criar umacerta imagem da Rússia que permita (aos EUA) influenciar nossapolítica interna e externa", disse Putin na entrevista,divulgada pelo site oficial do Kremlin (www.kremlin.ru). "A Rússia não só disse como repetidamente demonstrou portoda a sua política nos últimos 15 anos que queremos ser não sóparceiros (dos Estados Unidos) da América, mas também amigos",afirmou. "Mas às vezes tenho a impressão de que a América nãoprecisa de amigos. Temos a impressão de que a América precisade vassalos para comandar", prosseguiu, acrescentando queWashington "busca problemas dentro da Rússia o tempo todo". "É por isso que eles dizem para nós e para todos os outros:'Bem, vamos beliscá-los e recriminá-los um pouco, porque (osrussos) não são muito civilizados, ainda são selvagens,acabaram de saltar de uma árvore. É por isso que precisamospentear um pouquinho o cabelo deles --eles não conseguem fazerisso sozinhos--, barbeá-los e lavar a lama deles'." Político mais popular da Rússia, Putin deixa o cargo em2008, depois de guiar o país em uma grande fase de crescimentoeconômico, graças ao boom do petróleo. Mas, enquanto osinvestidores correm para o país, a política externa do Kremlingera atritos com o Ocidente. Ao qualificá-lo como "Homem do Ano", a Time disse que Putinconseguiu trazer a Rússia de volta do caos para "a mesa dopoder mundial", mesmo que à custa das liberdades democráticas. Segundo Putin, a Rússia precisa se desfazer do "grandeerro" que foi a política soviética de exportar uma revoluçãocomunista mundial. "Não queremos governar ninguém, não queremosser uma superpotência de nenhum tipo. Mas queremos ter forçassuficientes para poder nos defender, proteger nossosinteresses", disse o presidente, que começou a carreira comoagente da KGB (agência russa de segurança). Putin elogiou seus antecessores, Mikhail Gorbachev e ofalecido Boris Yeltsin, por terem desmontado o sistemasoviético. Convidado a explicar sua tese de que o fim da UniãoSoviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século", eledisse: "Não quis dizer no aspecto político da dissolução daUnião Soviética, e sim no aspecto humano." Ele disse que 25 milhões de pessoas de etnia russa setornaram estrangeiras com a independência das repúblicas queformavam o antigo país, e que muitos não têm como visitar aterra de seus ancestrais.

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