EUA orquestraram ação da Geórgia contra Ossétia, diz Putin

Premiê russo afirma que país incentivou ataque contra Ossétia do Sul para favorecer candidato presidencial

Agências internacionais,

28 de agosto de 2008 | 12h59

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acusou os Estados Unidos de orquestrar o conflito na Geórgia para beneficiar um dos candidatos à Presidência. Em entrevista concedida à CNN nesta quinta-feira, 28, o ex-presidente afirma ainda que Washington encorajou Tbilisi a atacar a província separatista da Ossétia do Sul, com aspirações pró-Moscou, para tentar tomar o controle da região.   Veja também: UE ameaça aplicar sanções contra a Rússia Conflito mostra 'fraqueza' russa, dizem EUA  Entenda o conflito separatista na GeórgiaCobertura completa das eleições nos EUA    Na entrevista, Putin diz suspeitar que alguém nos EUA provocou o conflito para dar vantagem a um dos candidatos nas eleições presidenciais americanas. Ele não cita nomes, mas deixa a entender que a Casa Branca estaria tentando favorecer o candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain.   A agência Itar-Tass afirma que Putin comentou ironicamente que os EUA acharam que seria mais fácil armar um lado e "mandá-lo para a morte" do que engajar-se num difícil processo de negociação. "Não é justo que o lado americano não reprima a liderança georgiana deste ato criminoso. Os EUA efetivamente armaram e treinaram o Exército da Geórgia", disse Putin. "Por que buscar uma solução difícil para o processo de paz? É fácil armar um dos lados da disputa e transformar em mortes. E o trabalho foi feito".   Putin afirmou que a Rússia não teve outra alternativa senão invadir a Geórgia depois que os membros da força de paz na Ossétia do Sul foram mortos, para evitar uma calamidade humanitária. O ex-presidente russo, ainda considerado um dos homens mais poderosos do país, afirmou que está desapontado porque os EUA não tentaram impedir o ataque da Geórgia.   A Rússia tem sido alvo de críticas do Ocidente pela decisão de reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, duas regiões separatistas georgianas no centro do conflito ocorrido desde o início deste mês no Cáucaso. O Kremlin tem respondido com irritação às críticas, observando que as potências ocidentais recusam-se a admitir que a Rússia recorreu à força militar somente depois de a Geórgia ter iniciado uma ofensiva contra a Ossétia do Sul, onde vivem dezenas de milhares de cidadãos russos.   A imprensa russa comentou nos últimos dias que, após o conflito bélico entre Rússia e Geórgia, McCain endureceu sua retórica contra Moscou e conseguiu melhorar sua posição frente a seu rival democrata nas eleições presidenciais de novembro, Barack Obama.

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