EUA pedem revisão da libertação de condenado por Lockerbie

Líbio que explodiu avião em 1988 foi solto por estar com câncer, mas não está mal de saúde

Efe,

19 de julho de 2010 | 23h28

WASHINGTON- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu nesta segunda-feira, 19, ao governo autônomo da Escócia e ao Reino Unido para revisarem os fatos e as circunstâncias que levaram à libertação do líbio Abdelbaset Al-Megrahi, condenado pelo atentado de Lockerbie.

 

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Em carta enviada por Hillary a quatro senadores que pediram ao Departamento de Estado americano para investigar a influência da BP na decisão de enviar Al-Megrahi à Líbia, a chefe da diplomacia americana disse que incentivou as autoridades escocesas e britânicas a avaliarem qualquer informação nova.

 

Em 20 de agosto de 2009, o governo escocês decidiu libertar Megrahi por razões humanitárias, com base em exames médicos que apontavam um câncer de próstata terminal.

 

Na ocasião, os Estados Unidos se opuseram à decisão. Hoje, Hillary diz que a libertação do líbio "é um insulto às famílias das vítimas, à memória dos que morreram no atentado de Lockerbie e a todos aqueles que trabalharam incansavelmente para garantir que se faça justiça".

 

A secretária de Estado destacou que qualquer decisão sobre a possível revisão do caso corresponde às autoridades escocesas, mas que os EUA "mantêm e seguirão mantendo em nossas conversas nossa inquebrável convicção de que Megrahi não deve ser um homem livre".

 

A polêmica surgida nos últimos dias sobre o papel da BP na libertação do líbio será abordada amanhã entre o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que se reunirão na Casa Branca.

 

Al-Megrahi foi o único condenado pelo atentado que matou 270 pessoas, a maioria americanas, quando um avião da Pan Am explodiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie em 21 de dezembro de 1988. Apesar dos motivos de sua libertação, ele continua vivo e sem sinais de deterioração de sua saúde.

 

Segundo a imprensa britânica, a BP pressionou a favor da libertação porque buscava concessões petrolíferas no golfo líbio de Sidra.

 

Hillary Clinton disse que o favorecimento da BP a uma transferência de presos entre o Reino Unido e Líbia é conhecido, mas reiterou que a responsabilidade pela libertação de Al-Megrahi é exclusiva do governo escocês e de seu ministro da Justiça, Kenny MacAskill, que, apesar de ter rejeitado a transferência, libertou Al-Megrahi por razões humanitárias, o que igualmente facilitou sua entrega à Líbia.

 

O Senado americano convocou executivos da BP e funcionários do governo britânico para depor na semana que vem sobre essa possível influência.

 

Hillary pediu ao ministro de Assuntos Exteriores britânico, William Hague, para revisar e abordar as preocupações expressadas pelos senadores em sua carta e responder diretamente ao Congresso dos Estados Unidos.

 

A libertação de Al-Megrahi foi um erro, reconheceu o embaixador britânico em Washington, Nigel Sheinwald, mas não há nenhuma prova que sustente a suposta ligação entre a BP e a libertação do líbio, de acordo com o atual governo britânico.

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