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EUA querem Rússia 'forte, pacífica e próspera', diz Obama

Em discurso em Moscou, presidente americano defende democracia e combate à corrupção no país

07 de julho de 2009 | 08h17

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira, 7, que os EUA querem uma Rússia forte, pacífica e próspera, num de seus mais importantes pronunciamentos da visita à Rússia. Em discurso aos os alunos da Nova Escola Econômica, em Moscou, Obama pediu o desenvolvimento da democracia e o combate à corrupção no país. "Reconhecemos o benefício futuro que virá de uma Rússia forte e vibrante", afirmou

 

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A Casa Branca tinha indicado que o discurso seria o terceiro de uma série que o Obama faz para deixar clara sua política externa, após os realizados em Praga em abril e no Cairo no mês passado.Obama manifestou que os dois países "compartilham interesses comuns" que podem ser a base para a cooperação. Entre eles citou a luta contra a proliferação nuclear e neste sentido apontou uma espécie de guia assinado nesta segunda-feira entre o presidente russo, Dmitri Medvedev, e ele para a conquista de um tratado de redução de armamento nuclear.

 

"Devemos fazer com que outros países cumpram seus compromissos", disse Obama, alegando que nem Rússia nem EUA se beneficiariam de uma corrida armamentista na Ásia ou no Oriente Médio. "Devemos estar unidos para nos opormos aos esforços da Coreia do Norte para se transformar em uma potência nuclear e impedir que o Irã tenha uma arma atômica", completou o líder americano. Obama assinalou que se desaparecer a ameaça do programa nuclear e balístico do Irã, sumirá também "a razão de ser" do escudo de defesa antimísseis que Washington planeja instalar no leste europeu.

 

O presidente americano também lançou uma chamada à colaboração contra os extremistas violentos e na área econômica. Segundo Obama, os desafios enfrentados pelo mundo moderno "demandam parceria global, e essa parceria será mais forte se a Rússia ocupar seu lugar de direito como grande potência". O presidente dos EUA se manifestou em defesa da democracia num país criticado por suas deficiências democráticas.

 

Em uma aparente alusão ao corte gradual das liberdades na Rússia nos últimos anos, Obama louvou o poder da imprensa independente, que nos EUA "denunciou a corrupção em todos os níveis". "Os governos que atuam em favor de seu povo sobrevivem e prosperam, os que só servem a si mesmos, não", destacou Obama, que frisou que os EUA "não buscarão impor nenhum sistema governamental em nenhum outro país, nem tentará escolher que partido ou indivíduo estará à frente de um Estado". "Na história de nosso país, as democracias têm sido as mais duradouras aliadas da América, incluindo aquelas com as quais já guerreamos na Europa e na Ásia - nações que hoje vivem com grande segurança e prosperidade", acrescentou o presidente.

 

Neste sentido citou o caso hondurenho, onde os EUA apoiam o restabelecimento do presidente democraticamente eleito, Manuel Zelaya, ainda que este líder tenha se oposto à política americana. Obama assegurou que apoia a volta ao poder de Zelaya "não porque esteja de acordo com ele", mas porque respeita "o princípio universal de que o povo deve escolher seus próprios líderes".

 

Obama afirmou ainda que a Rússia deve respeitar a soberania da Geórgia e da Ucrânia. "A soberania dos Estados deve ser um pilar da ordem internacional", declarou. "Assim como devem ter o direito de escolher seus líderes, os países devem ter o direito a fronteiras que sejam seguras, e a suas próprias políticas externas", disse. Segundo Obama, "qualquer sistema que suspender tais direitos levará à anarquia".

 

O presidente dos EUA também mirou na corrupção, considerada um dos flagelos da sociedade russa pós-soviética. "As pessoas em todos os lugares deveriam ter o direito de fazer negócios ou obter educação sem pagar propina", declarou. "Isso não é uma ideia americana ou russa - é como as pessoas e os países vão caminhar no século 21."

 

Obama, que ainda se reuniu com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, em um café da manhã de trabalho, prevê continuar o dia com reuniões com empresários e líderes da oposição russa, antes de viajar amanhã à Itália para a cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) em L'Aquila.

 

Encontro com Putin

 

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse que conta com Obama para relançar as relações entre os dois países, após as tensões dos últimos anos. "A seu nome vinculamos as esperanças para o desenvolvimento das relações russo-americanas", disse Putin a Obama, que na segunda-feira assinou junto ao presidente russo, Dmitri Medvedev, uma série de acordos, entre eles uma espécie de guia para um tratado de desarmamento nuclear.

 

"Pressinto que será uma conversa muito interessante", disse Obama sobre o encontro que terá com o primeiro-ministro e ex-presidente russo, que ainda conserva boa parte do poder em seu país e que foi criticado pelo líder americano na semana passada. "Sei do magnífico trabalho que o senhor fez em prol do povo russo em seu anterior cargo de presidente e faz agora como primeiro-ministro", afirmou Obama.

 

A visita de Obama à Rússia faz parte de um giro que também inclui Itália e Gana. Na segunda-feira, o presidente americano se reunirá com o premiê russo, Vladimir Putin. Ao falar com repórteres sobre o encontro com o premiê, Obama cometeu uma pequena gafe ao se referir a Putin como "presidente", mas rapidamente conseguiu se corrigir.

 

Os laços entre Moscou e Washington esfriaram no governo do ex-presidente George W. Bush, principalmente na época do conflito entre Rússia e Geórgia, em agosto. Desde que assumiu a Casa Branca, em janeiro, Obama e sua equipe mostram disposição de reaproximar-se com o Kremlin.

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