EUA respaldam entrada da Geórgia na Otan e criticam Rússia

Vice-presidente questiona a credibilidade internacional de Moscou e garante o ingresso de Tbilisi na aliança

Agências internacionais,

04 de setembro de 2008 | 07h36

Em visita à Geórgia, o vice-presidente americano, Dick Cheney, afirmou nesta quinta-feira, 4, que os Estados Unidos estão plenamente comprometidos com o ingresso do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e questionou a credibilidade internacional da Rússia, cuja incursão em território georgiano seria uma "tentativa ilegítima unilateral" de modificar as fronteiras do vizinho com o uso da força. Cheney afirmou ainda que Washington ajudará na reconstrução da democracia e da economia do país após o conflito com o Exército russo.   Veja também: EUA anunciam pacote de US$ 1 bi à Geórgia Entenda o conflito separatista na Geórgia   A viagem do vice-presidente dos EUA evidencia a intenção americana de estreitas as relações com a Geórgia e seus vizinhos depois do breve conflito armado com a Rússia, que mostrou que Moscou não teme o uso da força militar na área que considera sua zona de influência. O presidente americano, George W. Bush, anunciou na quarta um pacote de US$ 1 bilhão para ajudar a Geórgia a reconstruir sua economia e infra-estrutura após o conflito.   O pacote de ajuda e a visita de Cheney à região podem aumentar ainda mais a tensão entre EUA e Rússia, cujos líderes acusam Washington de ter iniciado o conflito na Geórgia e de ter fornecido armas para Tbilisi. Na quarta, Cheney chegou ao Azerbaijão, onde reafirmou o compromisso dos EUA com a manutenção da segurança do Cáucaso. "Bush enviou-me para cá com uma mensagem clara e simples para os povos do Azerbaijão e de toda a região: os EUA têm um interesse profundo e constante por seu bem-estar e segurança", afirmou Cheney. O vice-presidente deve visitar ainda a Ucrânia.   Os Estados Unidos estão com a Geórgia, afirmou Cheney a Saakashvili, "enquanto tentarem sobrepor uma invasão de um território soberano e uma tentativa ilegítima, unilateral, de mudar as fronteiras com o uso da força, a qual foi condenada universalmente pelo mundo livre". "A ação da Rússia mostra dúvidas sobre as suas intenções e sua credibilidade como parceiro internacional", acrescentou.   "Chegou o momento de ajudar a Geórgia", disse o vice-presidente dos Estados Unidos, após destacar que militares georgianos apoiaram as Forças Armadas americanas no Iraque. Além disso, reiterou o respaldo da Casa Branca aos planos da Geórgia de fazer parte da Otan. "Não estamos sozinhos. Sentimos o grande respaldo dos Estados Unidos, Japão, China, e da União Européia", disse Saakashvili, que também falou em inglês. "A Geórgia estará na nossa aliança", assegurou.   "Ajudaremos a população a cicatrizar as feridas do país, reconstruir a economia e assegurar a democracia da Geórgia, independência, e sua integração com o Ocidente", afirmou Cheney.   O chefe de Estado georgiano denunciou que a Abkházia e a Ossétia do Sul, territórios que a Geórgia declarou ocupados pela Rússia, foram palco de uma "limpeza étnica, cuja legalização não se pode permitir". Além disso, pediu que a comunidade internacional rejeite as independências declaradas pelas duas regiões, reconhecidas só pela Rússia e pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.   A viagem tem significado relevante para o conflito no Cáucaso, que começou no dia 7 de agosto quando forças georgianas atacaram a Ossétia do Sul para tentar retomar o controle da província, ação respondida com a invasão russa em defesa dos separatistas. Apesar do cessar-fogo assinado entre os dois países, as forças russas ainda não deixaram partes do território georgiano nos arredores da Ossétia e na Abkházia, outra região com aspirações separatistas. Moscou ainda reconheceu na semana passada a declaração de independência das duas regiões, medida rechaçada pela comunidade internacional.

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