EFE/Arno Burgi
EFE/Arno Burgi

Europa comemora Ano Novo sob forte tensão

Medidas de controle e segurança reforçada foram estabelecidas em festas nas principais capitais

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2016 | 17h16

GENEBRA - Champagne, confete e milhares de policiais. Assim será a Noite de Ano Novo na Europa, sob alta tensão diante da ameaça terrorista. Nas principais cidades do continente, governos reforçaram a segurança nas praças e locais usados para a festa de fim de ano e chegaram a cancelar alguns dos eventos, principalmente depois do atentado num mercado de Natal em Berlim, no dia 19 de dezembro.

O ano de 2016 foi especialmente traumático para os europeus, com ataques em Nice, Bruxelas e em diversas outras localidades. Governos de direita e esquerda passaram a mudar seu discurso em relação às fronteiras e mesmo sobre a política de “portas abertas” aos refugiados, o que desagradou a ONU e atividades de direitos humanos. 

Mas, temendo a perda de vidas e de votos, governos europeus passaram ampliar os dispositivos de segurança para a contagem regressiva para 2017. Nos últimos dias, por exemplo, a polícia alemã fechou a Pariser Platz, local tradicional da festa de final de ano, diante do portão de Brandemburgo. Um contingente extra de 1,7 mil soldados será deslocado para o local, além de carros blindados e obstáculos de cimento, para evitar um atentado com um caminhão, como ocorreu em Berlim e em Nice. 

Sob pressão, o governo de Angela Merkel ainda autorizou os policiais a usar armas automáticas para patrulhar as ruas de Berlim na noite do ano novo.  Em Colônia, dezenas de cameras de vídeo foram instaladas para tentar evitar a agressão sexual que muitas mulheres sofreram na festa de final de ano de 2015 e que abriu uma discussão sobre o fato de a Alemanha ter aceito refugiados.

Em Viena, justamente para evitar esse assédio, a polícia distribuiu às mulheres mil alarmes de bolso que podem ser acionados em caso de ataque. Bruxelas, Milão, Londres, Barcelona e várias grandes metrópoles anunciaram um importante reforço de seu esquema de segurança para o ano novo. 

Nas cidades de Roma e Nápoles, caminhões estarão proibidos de circular pelo centro, também para evitar o mesmo cenário de Nice ou Berlim. Em locais como o Coliseu, policiais armados também foram deslocados desde o início dessa semana. 

Na Espanha, 1,6 mil homens extras vão garantir a segurança da noite de ano novo da Puerta del Sol, em Madri. Barricadas foram erguidas nas entradas da praça e um limite de 25 mil pessoas foi estabelecido para a passagem de ano. Controles individuais serão feitos em cada uma das pessoas que optar por ir ao local. 

A tensão entre as autoridades espanholas ainda aumentou depois de que gravações foram encontradas em que dois jihadistas mostravam armas e imagens da Puerta del Sol. Na residência dos dois suspeitos foram encontradas armas de guerra e munições. Desde 2015, a Espanha deteve 177 pessoas suspeitas de ligações com o terrorismo. 

Pelo segundo ano consecutivo, os fogos de artifício na torre Eiffel foram cancelados. Ainda assim, as autoridades estimam que 600 mil pessoas estarão na avenida Champs Elysées para a passagem do ano. Cinquenta ruas na região da cidade serão fechadas, inclusive estacionamentos, enquanto blocos de concreto foram espalhados para evitar a invasão de uma das avenidas por caminhões. 

O ministro do Interior, Bruno Le Roux, garantiu que mais de 90 mil policiais e soldados estarão em atividade pelo país na noite de 31 de dezembro. Mas a tensão aumentou depois que três homens foram detidos na quarta-feira perto de Toulouse, sob a suspeita de estarem planejando um atentado na noite de ano novo. 

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