MAXIM ZMEYEV/AFP
MAXIM ZMEYEV/AFP

Europa e EUA divergem sobre como confrontar Putin em crise ucraniana

A chanceler alemã, Angela Merkel, avisou neste sábado que enviar armas para ajudar a Ucrânia a combater os separatistas pró-Rússia não resolveria a crise no país, atraindo uma resposta crítica de um senador norte-americano, que acusou Berlim de virar as costas para um aliado em apuros.

STE, REUTERS

07 de fevereiro de 2015 | 13h52

A discussão áspera em uma conferência de segurança em Munique demonstrou a fragilidade do consenso transatlântico sobre como confrontar o presidente russo, Vladimir Putin, sobre o conflito no leste da Ucrânia, que já matou mais de 5.000 pessoas.

A anexação russa da península da Crimeia, em março do ano passado, e evidências de que o país estaria apoiando as forças separatistas no leste do país, o que é negado pelo Kremlin, levaram as relações de Moscou com o Ocidente a um dos piores momentos desde o fim da Guerra Fria.

Uma recente ofensiva rebelde desencadeou uma série de intensas negociações diplomáticas, com Merkel e o presidente francês, François Hollande, viajando a Moscou para tentar convencer Putin a negociar um acordo de paz.

Mas autoridades europeias dizem que o líder russo tem poucos incentivos para negociar agora, e prefere sentar e assistir os separatistas ganharem mais território na Ucrânia, que desrespeitou um acordo de cessar fogo anterior, firmado em setembro em Minsk, capital de Belarus.

O Exército da Ucrânia disse no sábado que os separatistas pró-Rússia haviam aumentado os ataques às forças do governo, e pareciam estar reunindo forças para novas ofensivas na importante cidade ferroviária Debaltseve e na costeira Mariupol.

A líder alemã declarou em Munique, depois de retornar de Moscou no meio da noite, que era incerta a possibilidade de sucesso do plano de paz franco-alemão apresentado a Kiev e Moscou nesta semana.

Mas ela rejeitou diretamente a ideia de enviar armas para Kiev, considerada pelo presidente norte-americano, Barack Obama.

"Eu entendo o debate, mas acredito que mais armas não levarão ao progresso que a Ucrânia precisa. Eu realmente duvido", disse Merkel, que está liderando uma iniciativa ocidental para resolver a crise através de negociações.

"O problema é que eu não consigo visualizar nenhuma situação na qual uma Ucrânia mais armada convenceria o presidente Putin de que ele poderia perder militarmente", disse Merkel.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, também em Munique, disse que havia "um momento bom para otimismo" de que as negociações entre Merkel, Putin e Hollande possam chegar a um acordo.

Mas Lavrov também cutucou o Ocidente acusando a Europa e os Estados Unidos de apoiarem um golpe de Estado contra o líder deposto Viktor Yanukovich, um aliado de Moscou, um ano atrás, e virando as costas para os nacionalistas que ele dizia ter intenções de promover uma limpeza étnica no leste da Ucrânia.

"Há apelos crescentes no Ocidente para suportar a política de militarização de Kiev, encher a Ucrânia de armas letais e trazê-la para a Otan", disse Lavrov.

Falando após Merkel, o senador dos EUA Lyndsey Graham, um veterano republicano, elogiou a chanceler por seu engajamento na crise, mas disse que era hora de ela acordar para a realidade do que ele chamou de agressões de Moscou.

"No final das contas, para os nossos amigos europeus, isso não está funcionando... Levantem-se para o que claramente é uma mentira e um perigo", disse Graham.

Ele acusou Merkel de virar as costas para uma democracia em perigo ao rejeitar o pedido de Kiev por armas. "Isso é exatamente o que você está fazendo", disse.

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