Europa reluta em enviar mais tropas para Afeganistão

Nações apoiam nova estrategia dos EUA, mas não confirmas se mandarão reforços à guerra contra o Taleban

Reuters,

02 de dezembro de 2009 | 13h40

Os líderes dos países da Europa apoiaram nesta quarta-feira, 2, a estratégia anunciada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para o Afeganistão, que inclui o envio de mais 30 mil soldados, mas não concordaram em reforçar as tropas ocidentais que lutam contra a insurgência taleban no país asiático.

 

Veja também:

linkTaleban desafia Obama e promete intensificar resistência

linkOtan confirma envio de mais 5 mil soldados para o Afeganistão

linkPlano de Obama para guerra afegã custará US$ 30 bi no 1º ano

linkGoverno e oposição criticam novo plano 

video Vídeo: Discurso de Obama no canal da Casa Branca no YouTube

especialEspecial: 30 anos de violência e caos no Afeganistão 

 

O Reino Unido, fiel aliado dos EUA, foi o único país que disse planejar enviar soldados, prometendo enviar 500 militares adicionais antes mesmo de Obama ter feito seu discurso na terça-feira. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, exortou outros membros da coalizão a se unirem a Obama, e disse que seu país "exercerá plenamente seu papel em persuadir outros países a oferecerem tropas para a campanha no Afeganistão."

 

Mas, apesar do discurso positivo de Londres, a resposta da Europa continental foi cautelosa. Os líderes europeus procuraram transmitir sinais positivos a Obama e ao mesmo tempo aplacar seus eleitores, que veem a guerra no Afeganistão com crescente ceticismo.

 

A Alemanha, terceira maior força no Afeganistão, com 4.400 soldados, assinalou sua disposição em aumentar seu trabalho de treinamento de policiais, mas disse que não pode prometer mais soldados antes de proceder uma revisão da estratégia, no início de 2010.

 

"Obama também levou tempo para estudar o discurso e sua estratégia, e nós levaremos o tempo necessário para avaliar o que ele disse e discutir com nossos aliados", disse o ministro do Exterior, Guido Westerwelle.

 

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, descreveu o discurso de Obama como "corajoso, determinado e lúcido" e disse que a França "vai estudar sua contribuição para a estratégia internacional, priorizando o treinamento das forças de segurança afegãs."

 

Quarta maior contribuidora de tropas, com 3.750 soldados na região, a França tinha declarado dias antes que não enviaria mais soldados, de modo que a declaração de Sarkozy assinalou uma mudança de tom.

 

Em Roma, o chanceler Franco Frattini apontou para um possível envio de tropas por parte da Itália, mas se negou a definir números ou um cronograma. Ele prometeu que a Itália "fará muito" e exortou outros países europeus a fazer o mesmo, descrevendo as reações deles como mornas.

 

Em Varsóvia, o Ministério da Defesa disse que o governo polonês gostaria de enviar 600 soldados adicionais ao Afeganistão, mas avisou que o plano está sujeito à aprovação do presidente. A Polônia já tem 2.000 soldados no Afeganistão.

 

Campanha

 

Obama disse que o reforço é necessário para intensificar a batalha contra os insurgentes do Taleban, garantir a segurança de cidades chaves e treinar forças afegãs para que elas possam assumir a segurança do país, abrindo caminho para os EUA começarem a reduzir suas forças dentro de 18 meses.

 

A meta dos americanos é impedir que militantes da Al Qaeda aliados ao Taleban usem o país sul-asiático montanhoso como base desde a qual lançar ataques contra o Ocidente e seus aliados no Oriente Médio.

O envio das tropas adicionais elevará o número de soldados americanos na zona de guerra para mais de 100 mil, enquanto O Reino Unido passará a ter um contingente de cerca de 10 mil soldados.

 

Autoridades dos EUA disseram que Washington espera entre 5.000 e 7.000 soldados adicionais de seus aliados. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que espera que participantes não americanos na missão liderada pela Otan no Afeganistão forneçam pelo menos 5.000 soldados adicionais.

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãotropasestratégiaEuropa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.