Ex-agente de Saddam teria sido responsável por avanço do Estado Islâmico no Síria

Um ex-agente de inteligência do então ditador iraquiano Saddam Hussein foi o autor intelectual do avanço do Estado Islâmico no norte da Síria, segundo uma reportagem publicada pela revista alemã Der Spiegel baseada em documentos aos quais obteve acesso.

REUTERS

19 de abril de 2015 | 16h07

A publicação diz que revisou 31 páginas manuscritas com gráficos, cronogramas e listas sobre um anteprojeto para um califado na Síria, obra de um homem que a revista identificou como Samir Abd Muhammad al-Khlifawi, ex-coronel do serviço de inteligência da força de defesa aérea de Saddam.

O agente operava com o apelido "Haji Bakr" e notícias indicam que ele morreu em janeiro do ano passado em confrontos com rebeldes sírios.

A Der Spiegel afirmou que os documentos sugerem que a tomada do norte da Síria fazia parte de um plano meticuloso supervisionado por Haji Bakr usando técnicas --incluindo vigilância, espionagem, assassinato e sequestro-- aperfeiçoadas no aparato de segurança de Saddam.

A colaboração de Bakr na tomada de regiões na Síria fortaleceu a posição do Estado Islâmico no vizinho Iraque.

"O que Bakr deixou no papel... era nada menos que um anteprojeto para uma captura (de território na Síria)", disse Christoph Reuter, autor da reportagem.

"Não era um manifesto de fé, mas um plano tecnicamente detalhado para um 'Estado de Inteligência Islâmico', um califado dirigido por uma organização que evocava a Stasi", acrescentou, referindo-se à agência da Alemanha Oriental.

Depois de 2003, quando os Estados Unidos desmantelaram o Exército iraquiano, Bakr ficou desempregado. Entre 2006 e 2008, o agente esteve em centros de detenção norte-americanos, incluindo a prisão de Abu Ghraib.

Em 2010, Bakr e um grupo de ex-agentes de inteligência iraquianos converteram Abu Bakr al-Baghdadi no líder oficial do Estado Islâmico, com o objetivo de dar ao grupo uma "cara religiosa", segundo a reportagem da revista.

Dois anos depois, Bakr viajou ao norte da Síria para supervisionar seu plano de captura de território, optando por lançar o projeto com um grupo de combatentes estrangeiros, entre eles militantes sauditas, tunisianos, chechenos e uzbeques.

(Por Noah Barkin)

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