Ex-inspetor diz que corpo de Madeleine foi congelado

Investigador afastado do caso descarta seqüestro e afirma que o cadáver da britânica foi ocultado pelos pais

Efe,

24 de julho de 2008 | 12h17

O ex-inspetor da polícia portuguesa Gonçalo Amaral, que investigou o desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann, afirmou na edição desta quinta-feira, 24, do jornal Correio da Manhã que está convencido de que o cadáver da criança foi congelado e escondido, provavelmente pelos pais.   Veja também: Investigador acusa pais de Madeleine de simular seqüestro Procuradoria portuguesa decide arquivar o caso Madeleine   Na entrevista, o ex-inspetor, afastado do caso em outubro do ano passado e aposentado antecipadamente, descarta novamente a tese do seqüestro da menina e afirma que tudo foi uma montagem, baseado, principalmente nos testemunhos falsos da mãe, Kate McCann, e de uma amiga desta, Jane Tanner.   Amaral considera provado pela investigação que Jane mentiu ao contar que tinha visto um homem perto do apartamento com uma menina nos braços na noite de 3 de maio de 2007, quando Madeleine desapareceu do apartamento de um centro turístico do sul de Portugal.   A mãe também não disse a verdade, segundo o ex-policial, ao afirmar que, quando chegou ao quarto onde Madeleine dormiu, a janela estava aberta, o que - segundo outros testemunhos e os únicos vestígios achados no local, da própria Kate McCann - era impossível.   Amaral apresenta nesta quinta o seu livro sobre o caso, Maddie - A Verdade da Mentira, no qual insiste em que a menina morreu provavelmente por um acidente e que os pais, que na segunda-feira foram retirados da condição de suspeitos pela Procuradoria de Portugal, estiveram envolvidos e esconderam o cadáver.   Em suas declarações, Amaral volta a indicar diversos comportamentos suspeitos dos pais de Madeleine, em particular que Kate McCann, ao descobrir a ausência da filha, teria deixado o apartamento com a janela aberta enquanto os outros dois filhos, de 2 anos, dormiam no local, para voltar ao restaurante gritando que tinham levado Maddie.   "A teoria de rapto foi forçada pelos pais", ressalta, e lembra que uma família irlandesa disse ter visto naquela noite Gerry McCann com uma menina nos braços perto do apartamento, mas caminhando para a praia e não para a casa de Robert Murat, como Jane Tanner havia dito.   Amaral afirma que Murat, o terceiro suspeito oficial do caso, também retirado da condição de culpado na segunda-feira pela Procuradoria, foi identificado pela amiga dos McCann com uma certeza total. Além disso, o testemunho da família irlandesa que envolve o pai de Madeleine não foi ratificado, porque, segundo Amaral, as testemunhas se sentiram "pressionadas" pela equipe de assessores dos McCann.   O ex-inspetor português revela que também os investigadores tiveram pressões de vários diplomatas britânicos e até de um assessor do escritório do primeiro-ministro do Reino Unido. Ele ainda admite que as investigações não conseguiram encontrar pistas de onde poderia estar escondido o corpo de Madeleine, mas sustenta que deve ter sido congelado e transportado no porta-malas do automóvel alugado pelos McCann quase um mês depois do desaparecimento da filha.   Com o calor, o cadáver congelado pode ter deixado resíduos, que depois foram identificados no veículo por dois cães especialmente treinados da polícia britânica. Segundo testemunhas citadas pelo ex-investigador, os McCann teriam aberto o porta-malas para que ventilasse e alegou que tinham transportado lixo e carne congelada no carro, cheiros que, no entanto, não conseguiriam confundir dois cães muito especializados, de acordo com os treinadores ingleses.

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