Ex-líder diz que PKK deixou Iraque, mas Turquia autoriza ação

Segundo irmão de guerrilheiro, curdos voltaram a Turquia e ataques estariam sendo lançadas a partir do Irã

Associated Press e Reuters,

30 de novembro de 2007 | 11h50

No mesmo dia em que um ex-líder guerrilheiro afirmou que os rebeldes curdos baseados no norte do Iraque já deixaram a região, o governo da Turquia autorizou que as Forças Armadas realizem operações no país vizinho, afirmou nesta sexta-feira, 30, o premiê Tayyip Erdogan.  Apesar da oposição dos Estados Unidos e do governo iraquiano a uma grande operação na área, a Turquia já havia prometido combater guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que usam o norte iraquiano como base para lançar ataques ao território turco.  "O gabinete tomou sua decisão no dia 28 de novembro e com o aval presidencial, nossas Forças Armadas turcas estão autorizadas a realizar operações do outro lado da fronteira desde o dia 28", disse Erdogan em um pronunciamento televisionado.  No entanto, também nesta sexta-feira, o irmão do líder preso da guerrilha afirmou que os rebeldes retornaram à Turquia nas últimas duas semanas. Ainda segundo Osman Ocalan, as operações lançadas de solo estrangeiro contra o território turco foram assumidas agora por militantes baseados em território iraniano - país que também faz fronteira com a Turquia. Ocalan é o irmão mais novo do fundador do PKK, Abdullah Ocalan. "Os guerrilheiros do PKK deixaram seus postos nas montanhas iraquianias de Qandil e retornaram ao Curdistão turco", disse Osman à Associated Press. Ele ressaltou que os guerrilheiros do PKK foram substituídos por militantes do Partido pela Liberdade do Curdistão Iraniano. Ainda não está claro, no entanto, se a declaração de Erdogan implicará numa ação imediata do Exército turco. A Turquia possui cerca de 100 mil soldados apoiados por tanques, blindados e aviões posicionados na sua fronteira.  O Parlamento turco havia aprovado em 17 de outubro uma moção que dava ao governo a base legal para uma operação do outro lado da fronteira.  A resolução, aprovada por larga maioria, veio após uma série de ataques do PKK contra forças de segurança turcas. A ação gerou uma onda de nacionalismo na Turquia.

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