Alessandro Fucarini/Associated Press
Alessandro Fucarini/Associated Press

Ex-mafioso envolve Berlusconi com a Cosa Nostra

Durante audiência, Gaspare Spatuzza acusa primeiro-ministro de compactuar com máfia siciliana

Efe e Reuters,

04 de dezembro de 2009 | 11h39

O ex-mafioso Gaspare Spatuzza disse nesta sexta-feira, 4, durante audiência realizada em Turim na Itália, que o nome do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi citado por Giuseppe Graviano, um dos chefes da Cosa Nostra, a máfia siciliana.

 

"Graviano me disse que tudo o que tínhamos obtido foi graças à seriedade das pessoas que tinham levado adiante esta história, que não eram como aqueles quatro socialistas que tinham recolhido os votos entre 88 e 89 e depois nos fizeram guerra", disse Spatuzza.

 

Segundo Spatuzza, o chefe da máfia "mencionou os nomes de dois sujeitos. De Berlusconi, Graviano me disse que era o do 'Canale 5'", um dos veículos de comunicação que fazem parte do império midiático do primeiro-ministro.

 

O ex-mafioso acrescentou que seu chefa havia dito que afirmou "no meio havia um deles, Dell'Utri", em referência ao senador do Partido do Povo da Liberdade (PDL), já condenado em primeira instância a nove anos de prisão por associação mafiosa. "Graças à seriedade destas pessoas, tínhamos o país praticamente em nossas mãos", disse Spatuzza.

 

O premiê, entretanto, não está vinculado formalmente com o caso, que é parte de uma apelação contra a condenação de um de seus aliados políticos e empresariais, o senador Dell'Utri. Berlusconi rejeita as acusações de Spatuzza e as classifica como "infundadas".

 

Atentados

 

O ex-mafioso e agora colaborador da Justiça italiana falou que atentados de 1993 em Florença, Milão e Roma foram "anômalos" dentro da estratégia da Cosa Nostra. Graviano, entretanto, teria dito "seria bom somar alguns mortos para despertar quem tem que se movimentar".

 

Spatuzza também responsabilizou a Cosa Nostra pelos atentados nos quais foram assassinados os juízes antimáfia Paolo Borsellino e Giovanni Falcone em 1992. "A Cosa Nostra é uma associação mafiosa-terrorista", disse.

 

Braço direito dos chefes mafiosos Giuseppe e Filippo Graviano, do chamado clã de Brancaccio, Spatazza falou pela primeira vez no julgamento de apelação de Marcello Dell'Ultri. Por motivos de segurança, a audiência transcorre em um bunker subterrâneo do Palácio de Justiça de Turim, mas com os juízes do Tribunal de Apelação de Palermo (Sicília).

 

Dell'Utri foi co-fundador da antiga legenda liderada por Berlusconi, Forza Itália, e agora ocupa o cargo de senador pelo atual partido do primeiro-ministro, o Povo da Liberdade (PDL).

 

Spatuzza disse à Justiça que os irmãos Graviano, em particular Giuseppe, souberam entre o final de 1993 e o início de 1994 que a Cosa Nostra havia escolhido Dell'Utri e Berlusconi como suas novas referências na política.

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