Ex-presidente Chirac deve ser julgado por desvio de verba

O ex-presidente francês Jacques Chirac deverá ser julgado por desvio de dinheiro público da época em que servia como prefeito de Paris, uma medida inédita contra um antigo chefe de Estado.

THIERRY LEVEQUE E ESTELLE SHIRBON, REUTERS

30 de outubro de 2009 | 09h58

O juiz Xaviere Simeoni decidiu pelo julgamento depois de analisar acusações de que a Prefeitura de Paris fechou contratos para empregos inexistentes como favores a pessoas que foram úteis politicamente a Chirac.

O gabinete de Chirac disse na sexta-feira que ele e outras nove pessoas irão a julgamento por causa de 21 empregos-fantasmas.

"O presidente Chirac... está confiante e determinado a provar, perante um tribunal, que nenhum desses empregos que continuam em discussão eram fantasmas", dizia um comunicado.

Chirac, de 76 anos, foi prefeito de Paris de 1977 a 1995, quando foi eleito presidente. Não se sabe ainda se ele vai a julgamento, já que o procurador-público Jean-Claude Marin disse anteriormente que não havia um caso contra ele.

Marin deve apelar da decisão de Simeoni, cujo papel é investigar casos e decidir se os suspeitos devem ir a julgamento.

Chirac desfrutou de imunidade constitucional durante seus 12 anos como presidente.

Nenhum ex-chefe de Estado francês foi acusado de corrupção, e um julgamento seria uma humilhação pública para um homem que ficou à frente da política francesa por quatro décadas.

Aposentado, Chirac manteve a popularidade e devotou seu tempo a escrever suas memórias e em lançar uma fundação beneficente.

Embora tenha conseguido até agora evitar um envolvimento direto em qualquer julgamento, vários de seus antigos aliados foram condenados por corrupção, deixando um gosto amargo do que já foi conhecido como "os anos Chirac".

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