Exército diz que secularismo político corre risco na Turquia

Ministro islâmico deve vencer eleições desta terça, após ter sido barrado pela oposição no 1º semestre

Agência Estado e Associated Press

27 de agosto de 2007 | 15h56

O Exército da Turquia declarou nesta segunda-feira, 27, que o secularismo está sendo atacado no país por "centros maléficos". A forte advertência foi feita um dia antes da esperada eleição de um candidato com raízes islâmicas à presidência, o ministro do Exterior Abdullah Gul. O general Yasar Buyukanit, comandante do Exército, disse em nota no website das forças armadas que "nossa nação tem assistido o comportamento desses separatistas, que não conseguem abraçar a natureza unitária da Turquia. Nós também observamos o comportamento dos centros maléficos, que sistematicamente tentam corroer a natureza secular da República da Turquia." O comunicado vem um dia antes da esperada eleição à presidência do chanceler Abdullah Gul, cuja tentativa de se eleger a presidente no primeiro semestre foi bloqueada pela oposição no Parlamento, sob a alegação de que Gul tentará acabar com o laicismo na Turquia. A eleição turca para presidente ocorre sempre no Parlamento e tem três turnos. Gul poderá vencer amanhã o terceiro turno, no qual precisará de uma maioria simples para se eleger. O Exército da Turquia, além de defender o secularismo, luta contra a guerrilha separatista curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), nas regiões sudeste e leste do país, majoritariamente habitadas por curdos. Os combates ocorrem desde 1984. O comunicado do Exército foi publicado nesta segunda para marcar o 85º aniversário, em 30 de agosto, de uma vitória militar crucial para o estabelecimento da República da Turquia, em 1922. "Planos nefastos para arruinar a natureza democrática e secular da Turquia são maquinados e emergem todos os dias," disse Buyukanit no comunicado. "Os militares, como sempre fizeram, mantêm e defendem sua determinação em proteger a Turquia democrática, social e secularista," escreveu. O comunicado lembra um similar publicado pelo Exército em abril, em meio à candidatura de Gul à presidência no primeiro semestre. Gul deverá se tornar na terça-feira o 11º presidente da República da Turquia, ao vencer o terceiro turno da eleição indireta. No primeiro semestre, ele retirou sua candidatura após fortes críticas do Exército e da oposição, que negou quórum no Parlamento para sua eleição. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que escolheu Gul como seu candidato, antecipou as eleições gerais para superar o impasse. As eleições ocorreram em 22 de julho e o partido de Erdogan, de raízes islâmicas, obteve uma vitória arrasadora nas urnas, o que analistas políticos indicam ser um forte apoio à candidatura de Gul.  Após as eleições, Gul decidiu lançar novamente sua candidatura à presidência. No primeiro e no segundo turnos, ele não obteve os dois terços dos votos necessários para ser eleito presidente, mas acredita que amanhã, quando será necessária apenas uma maioria simples, vencerá o pleito. O partido de Gul e de Erdogan tem 341 cadeiras das 550 do Parlamento.

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