Reuters
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Explosão da ETA mata ao menos 2 guardas civis na Espanha

Incidente na ilha de Mallorca acontece um dia após atentado mais de 60; segunda bomba foi encontrada

30 de julho de 2009 | 09h33

Pelo menos dois guardas civis morreram por conta de uma forte explosão que atingiu nesta quinta-feira, 30, um quartel da Guarda Civil de Palmanova, em Calvià, na ilha de Mallorca. Autoridades afirmaram que este é o segundo do grupo separatista basco ETA em dois dias, véspera dos 50 anos da organização. Horas mais tarde, um segundo artefato foi encontrado em outro quartel, perto do lugar foi promovido o atentado.

 

Todos os aviões e navios foram temporariamente proibidos de deixar Palma de Mallorca enquanto autoridades espanholas procuravam por suspeitos de envolvimento. A explosão aconteceu um dia depois de uma caminhonete-bomba ser detonada perto de um quartel da Guarda Civil na cidade de Burgos, no norte da Espanha, deixando pelo menos 60 pessoas com ferimentos leves. Apesar de nenhuma organização ter reivindicado a autoria do atentado, o governo espanhol acusou a organização separatista basca ETA de ser a autora do ataque.

 

"Por causa do atentado ocorrido hoje, colocou-se em marca a operação Jaula, que consiste em fechar a ilha de Mallorca para evitar a fuga dos terroristas", informou o governo regional das Ilhas Baleares por meio de um comunicado. A segurança no arquipélago já estava reforçada porque o rei Juan Carlos e sua família, como de costume, encontram-se em férias em Mallorca. O fechamento, no auge do período de férias, não poderia ser pior para a economia da região.

 

Segundo as primeiras investigações, a explosão foi causada por uma bomba colocada embaixo de um carro patrulha e as vítimas fatais são os agentes que estavam dentro do veículo. A região da explosão fica a 500 metros de uma praia localizada numa área de intenso turismo e a poucos quilômetros do Palácio de Marivent, casa de veraneio da família real. Uma testemunha disse que a explosão foi muito forte, incluindo chamas. Mais tarde, a polícia desativou outra bomba colocada debaixo de um segundo carro perto do local da primeira explosão, uma autoridade disse.

 

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As forças de segurança acreditam que o ETA, enfraquecido pela prisão se importantes líderes, está tentando dar uma demonstração de força para mostrar que ainda pode atacar o governo espanhol e manter a moral entre seus apoiadores.

 

Na sexta-feira, o ETA, considerado culpado por mais de 800 mortes em décadas, comemora o aniversário de 50 anos de sua fundação secreta durante a ditadura de Franco, quando a cultura basca foi reprimida. A data será marcada com comemorações da minoria nacionalista basca que defende o comportamento violento do ETA em prol da independência do País Basco do restante da Espanha.

 

Apesar de pesquisas de opinião mostrarem que a maioria dos bascos é favorável à independência para a região de montanhas, que já goza de considerável autonomia, o apoio à violência caiu nos últimos anos. O último ataque fatal atribuído ao ETA foi em junho, quando um oficial da polícia antiterror foi morto na cidade basca de Bilbao. O governo socialista da Espanha rompeu as negociações de paz com o ETA após o grupo rebelde ter assassinado duas pessoas com um carro-bomba no aeroporto de Madri em dezembro de 2006.

 

Texto atualizado às 14h10.

 

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