Expulsão de diplomatas russos afetaria atuação antiterrorista

Ex-diplomata Alexander Grushko diz que crise poderia complicar cooperação de segurança com Londres

Agências internacionais,

17 Julho 2007 | 15h42

O ex-ministro das Relações Exteriores russo afirmou nesta terça-feira, 17, que a expulsão dos quatro diplomatas de Londres poderia afetar a cooperação européia no combate ao terrorismo.  Alexander Grushko afirmou que o movimento, uma retaliação ao pedido de extradição do suspeito da morte do ex-agente da KGB Alexander Litvinenko, poderia complicar assuntos de segurança "muito importantes", segundo noticiou a BBC nesta terça-feira, 17.  Veja também:Para Reino Unido, Rússia não deve revidar expulsão Putin é mais liberal que maioria dos russos, mostra pesquisa Ele afirmou: "nós estamos sendo punidos por cumprir nossa Constituição". O Ministério das Relações Exteriores posicionou sua decisão, afirmando que "nenhuma retaliação contra a decisão russa poderia ser justificada". Uma declaração oficial é esperada de Moscou, que já alertou Londres sobre "sérias conseqüências" de sua decisão. Alexander Litvinenko, ex-agente da inteligência russa e que se tornou crítico ferrenho do presidente Vladimir Putin, morreu após ser envenenado com uma substância radioativa. Litvinenko, ex-espião do Serviço Federal de Segurança (antiga KGB), morreu em 23 de novembro de 2006, após adoecer cerca de um mês antes, em 1º de novembro, dia em que se encontrou com o também ex-espião Andrei Lugovoi e com outro cidadão russo, Dmitry Kovtun, no hotel Millennium da capital britânica. O ex-espião vivia com a família no norte de Londres e tinha recebido a nacionalidade britânica após se refugiar há alguns anos no Reino Unido. Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko disse que o Kremlin estaria por trás de seu assassinato, pelo fato de o ex-agente ter acusado os serviços secretos russos de causar uma série de explosões em um edifício de Moscou, em 1999, para ajudar Vladimir Putin a chegar à Presidência.  Denúncias Promotores britânicos acusaram o empresário russo Alexander Lugovoi - também ex-oficial de inteligência - de envenenar Litvinenko e exigem sua extradição para enfrentar a Justiça britânica. A Rússia recusa-se a fazer isso, dizendo que há uma proibição constitucional para a extradição de seus próprios cidadãos. O secretário das Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse que a medida não é "anti-Rússia", mas afirmou que o objetivo é mostrar o quão a sério o Reino Unido levou a decisão de Moscou. "É uma situação que o governo não buscou e que não é bem vinda. Mas não temos escolha senão lidar com ela", disse Miliband num discurso ao Parlamento. A Rússia afirmou que vai dar uma "resposta adequada", segundo a agência estatal RIA Novosti. Desde maio, quando a promotoria britânica acusou Lugovoi pelo assassinato, o Kremlin tem encorajado a mídia russa a culpar o oligarca russo Boris Berezovski e o MI6 (serviço secreto britânico) pelo assassinato do ex-agente soviético. Os canais de televisão também exibiram longas entrevistas com Lugovoi, que afirmou que o MI6 tentou contratá-lo e que Litvinenko teria se envenenado.  Numa coletiva de imprensa surreal em Moscou, Lugovoi declarou que os responsáveis pelo assassinato eram Tony Blair, Berezovski e a máfia georgiana. Em Downing Street, as autoridades acham que, se quisesse, o Kremlin poderia extraditar Lugovoi.

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