Expulsão de imigrantes dispara sob Sarkozy

A França deportou um número recorde de imigrantes ilegais no ano passado, segundo dados divulgados na terça-feira, em mais um sinal de que o governo do presidente Nicolas Sarkozy endureceu sua posição a respeito da imigração no ano que antecedeu à campanha dele à reeleição.

GÉRARD BON, REUTERS

10 de janeiro de 2012 | 17h57

Foram 32.912 estrangeiros expulsos em 2011, aumento de 17 por cento em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pelo ministro do Interior, Claude Gueant. O número inclui 5.000 tunisianos que fugiram da rebelião no país no começo de 2011.

Gueant, que tomou posse em fevereiro prometendo reprimir a imigração legal ou ilegal, disse numa entrevista coletiva que irá endurecer essa postura, com a meta de 35 mil deportações. Ele afirmou também que pretende reduzir a imigração legal para 150 mil pessoas por ano. O país já reduziu sua quota de 200 mil para 180 mil nos últimos anos.

"Não é razoável trazer migrantes para serem desempregados aqui", disse Gueant, que estima que um quarto dos estrangeiros de fora da União Europeia na França esteja sem trabalho.

As estatísticas também mostraram uma queda de 30 por cento nas naturalizações.

A entidade SOS Racisme disse que o governo apresentou "cifras da vergonha", e criticou a "política linha-dura" do governo.

O INSEE, órgão oficial de estatísticas, disse que 3,7 milhões dos 65 milhões de habitantes da França em 2008 eram estrangeiros.

"Não se trata de se retirar para atrás da linha Maginot, e sim de respeitar as regras", disse Gueant, referindo-se à barreira que a França construiu ao longo das suas fronteiras com Alemanha e Itália depois da Primeira Guerra Mundial.

Gueant é um dos mais fiéis colaboradores de Sarkozy, que propôs em 2011 que toda a União Europeia reforçasse suas fronteiras para impedir um afluxo de migrantes em decorrência da "Primavera Árabe".

Em menos de um ano no cargo, Gueant endureceu as regras para a concessão de vistos de trabalho e estudos, reduziu o orçamento para candidatos a asilo, e foi muito criticado por dizer, quando da proibição de orações muçulmanas nas ruas, que os franceses "já não se sentem mais em casa".

Em 1o. de janeiro, entraram em vigor novas regras para a nacionalização, exigindo que o estrangeiro prove que é capaz de falar a língua nacional como um nativo de 14 anos, e que responda a perguntas sobre a história, a cultura e a sociedade da França. Os candidatos também precisarão assinar um documento jurando lealdade aos valores pátrios.

(Reportagem adicional de Vicky Buffery)

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