Etore Ferrari/Efe
Etore Ferrari/Efe

Expulso de partido por Berlusconi, ex-aliado cria legenda própria

Primeiro-ministro compara ruptura com presidente da Câmara ao 'alívio do divórcio'

Efe

30 de julho de 2010 | 14h29

ROMA - Um dia depois de ter sido expulso pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, do partido que fundaram juntos, Gianfranco Fini anunciou hoje a criação de um novo partido político.

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Fini aproveitou para dizer que não renunciará à Presidência da Câmara dos Deputados, como queria o primeiro-ministro, a quem chamou de "antiliberal".

 

Berlusconi, que justificou a expulsão de Fini ao defender que sua posição é incompatível com os princípios do PDL, disse não estar disposto a suportar mais um "partido dentro do partido".

"Tirei um peso das costas, me sinto libertado como quando me divorciei", disse Berlusconi segundo a imprensa italiana.

Em uma entrevista coletiva lotada em Roma, Fini respondeu com dureza às acusações do primeiro-ministro e afirmou que foi expulso do partido Povo da Liberdade (PDL) sem que pudesse expressar suas opiniões e acrescentou que o "crime" que cometeu foi ter ousado criticar o primeiro-ministro e alguns projetos de lei do Governo.

"Foi escrita uma página negra para a centro-direita italiana e certamente não renunciarei ao cargo de presidente da Câmara dos Deputados, já que minha missão é garantir o Parlamento e não a maioria que o elegeu", afirmou Fini em resposta a Berlusconi.

Fini acusou o primeiro-ministro de ter um "conceito empresarial" do Estado e uma concepção "antiliberal da democracia".

O político se comprometeu a defender a legalidade "porque muitos cidadãos de centro-direita não entendem por que em nosso partido as garantias constitucionais muitas vezes são entendidas como impunidade".

Segundo Fini, seu novo partido apoiará "lealmente o Governo cada vez que tomar medidas incluídas no programa eleitoral" e vai se opor "caso as decisões sejam injustamente lesivas ao interesse geral".

O novo partido, que formalizou hoje sua inscrição no Parlamento, se chamará Futuro e Liberdade e contará inicialmente com 34 deputados e dez senadores.

Embora Berlusconi esteja convencido de que o PDL manterá a cômoda maioria absoluta da qual desfrutava no Parlamento, esta transposição de parlamentares pode colocá-la em perigo.

Até agora, a coalizão no poder contava com 344 deputados de um total de 630. A saída dos 34 aliados a Fini pode vir a restringir a ação do Governo, ao deixar o PDL em minoria na Câmara Baixa - no Senado, o partido de Berlusconi continua com maioria absoluta.

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