Extrema direita desponta em eleições legislativas na Áustria

Partidos xenófobos e antieuropeus se beneficiam de voto de protesto por fim da coalizão governista

Agências internacionais,

29 de setembro de 2008 | 08h12

A extrema direita ampliou a participação no Parlamento austríaco depois das eleições deste domingo, 28, nos melhores resultados alcançados desde a Segunda Guerra Mundial. Somados, os partidos Liberal e Aliança pelo Futuro da Áustria conquistaram quase 30% da preferência dos eleitores. Apesar do avanço da direita, os Social-Democratas venceram com 30% dos votos, índice 5% menor do que o de 2006.  Segundo o El País, a direita radical conquistou o voto de protesto da população pela decepção com a fracassada "grande coalizão" entre o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) e o Partido Popular Austríaco (ÖVP), dissolvida 18 meses após sua formação.  Os dois maiores partidos registraram baixas históricas de votação. Além da queda de cinco pontos registrada pelos Social-Democratas, os populares caíram quase nove pontos em comparação com o pleito realizado há dois anos. O castigo se refletiu também em uma queda de 7 pontos percentuais na participação eleitoral, que foi de 71,48%."Não foi possível recuperar a confiança", reconheceu Werner Faymann, ministro da Infra-estrutura austríaco e líder dos social-democratas. Dos cinco partidos representados no Parlamento de 183 cadeiras, só o Partido Liberal da Áustria (FPÖ), do ultranacionalista Heinz-Christian Strache, e a Aliança pelo Futuro da Áustria (BZÖ), de Jörg Haider, líder histórico da extrema direita, ampliarão sua presença na Câmara. O resultado não foi uma surpresa, já que todas as pesquisas tinham previsto um aumento inclusive maior para o líder do FPÖ, que foi discípulo de Haider e que, assim como ele, se apóia em uma demagogia xenófoba e antieuropéia. No entanto, a grande surpresa foi o próprio Haider, já que o BZÖ superou o previsto ao quase triplicar seus votos, para 11%. Os dois representantes se mostraram decididos a participar do futuro governo. Nesta eleição, entrou em vigor a reforma eleitoral aprovada em 2007 que reduz, pela primeira vez em um país europeu, a idade mínima para votar aos 16 anos e prolonga o mandato da legislatura de quatro para cinco anos. A mensagem da extrema direita conquistou estes novos eleitores e, segundo pesquisas, 25% das pessoas com menos de 30 anos se inclinaram pelo FPÖ e por seu líder de 39 anos, que misturou com sucesso em sua campanha o populismo nacionalista e a cultura juvenil.

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