Fabricantes de panetone querem restringir o uso do nome à Itália

A Itália já tem normas rígidas que regem aorigem e qualidade de vinhos. O queijo do tipo parmesão só podeostentar o nome Parmigiano se for produzido em Parma, e asregras relativas ao azeite de oliva "italiano" também estãosendo endurecidas. Agora o tradicional bolo natalino italiano se tornou oproduto mais recente que o governo e os produtores italianosquerem proteger contra imitações estrangeiras. A cada ano, na época do Natal, os padeiros italianosproduzem cerca de 117 milhões de panetones e bolos pandoro, novalor de 579 milhões de euros (849 milhões de dólares). Pelalei, eles precisam ser produzidos segundo regras rígidas,usando apenas manteiga e levedo de cerveja. Mas as mesmas regras não se aplicam fora da Itália, o quesignifica que os panetones italianos exportados podem não ter amesma qualidade que os italianos e que as versões produzidas noexterior podem guardar apenas uma vaga semelhança com os bolosaltos, fofos e dourados tão apreciados pelos italianos. "Sete em cada dez panettones e 'pandori' exportados aosEstados Unidos não respeitam as normas de produção. Sete emcada dez norte-americanos que compram um panetone 'em estiloitaliano' adquirem uma imitação barata", disse em coletiva deimprensa o presidente da Indústria Italiana de Bolos, AlbertoBauli. O ministro da Agricultura, Paolo de Castro, disse que ogoverno estuda maneiras de proteger os legítimos bolositalianos da crescente concorrência latino-americana. Asautoridades estudam a possibilidade de levar o caso àOrganização Mundial do Comércio. "Não podemos permitir que os imitadores usem um nome que osvincule a um território que não é deles. De certo modo, estãozombando dos consumidores", afirmou o ministro. No início do ano De Castro disse que pressionaria a UniãoEuropéia a fazer com que todo o azeite de oliva vendido naItália carregue um rótulo identificando a origem das olivas. Ainiciativa apoiaria os agricultores italianos, que reclamam quea maior parte do azeite de oliva supostamente italiano é feitocom olivas cultivadas em outros países.Se a proposta for aceita, a Itália pode tentar fazer o mesmocom frutas e legumes processados, como a "passata" (polpa detomate) e alguns produtos como frango e peru, para explorar aqualidade associada ao rótulo "made in Italy", disse oministro.

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