Fabricantes de prótese mamária adulterada vão a julgamento na França

Cinco executivos franceses começaram a ser julgados na quarta-feira por fornecerem próteses mamárias adulteradas a centenas de milhares de mulheres, num caso que gerou preocupações globais.

Reuters

17 de abril de 2013 | 11h01

Durante uma década, entre 2001 e 2010, mais de 300 mil mulheres receberam próteses da empresa francesa Poly Implant Prothese (PIP). A ação judicial inclui 5.000 queixosas e 300 advogados.

Jean-Claude Mas, fundador e presidente-executivo da PIP, admitiu que as próteses eram enchidas com uma receita caseira e não aprovada à base de gel de silicone para uso industrial.

Ele e quatro outros executivos são acusados de fraude qualificada, e podem pegar até cinco anos de prisão cada, além de multas. As próteses irregulares já foram retiradas do mercado.

Um pavilhão de exposições próximo à antiga fábrica da PIP foi transformado em tribunal improvisado para acomodar a multidão esperada para o julgamento, que deve durar até 14 de maio.

Mas chegou sob escolta policial e, sob assédio da imprensa, apareceu num telão montado no local. Aos gritos, uma pessoa presente no local o chamou de "bastardo".

Das mais de 5.000 ações individuais movidas contra a PIP --que já foi a terceira maior fabricante mundial de próteses mamárias--, 220 partiram de mulheres de fora da França.

Na época do escândalo, o governo francês recomendou que mulheres com próteses da PIP as retirassem, devido ao grande risco de um vazamento.

Médicos dizem não haver indício de relação entre essas próteses e casos de câncer de mama, mas, nos meses subsequentes à revelação da fraude, cirurgiões plásticos do mundo todo disseram ter recebido um grande número de solicitações para retirarem as peças de pacientes preocupadas.

Metade das francesas com implantes da PIP, ou quase 15 mil, já optaram por retirá-las, seja por causa de rupturas ou por precaução, segundo o governo.

Mas passou oito meses detido por não pagar fiança, mas foi libertado em outubro. À polícia, ele disse que 75 por cento das próteses da sua empresa continham o gel caseiro, mas ele nega que o produto fosse perigoso. Os cinco réus se declaram inocentes.

(Por Jean-François Rosnoblet)

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