'Falsa guerra' transmitida na Geórgia foi provocação, diz Rússia

Emissora provocou pânico ao mostrar imagens de uma suposta invasão russa em rede nacional

Efe,

15 de março de 2010 | 10h36

O Ministério de Exteriores da Rússia considerou como uma provocação a transmissão de uma falsa invasão do Exército russo na Geórgia pelo canal Imedi. O episódio provocou pânico no país, que vive tensões diplomáticas com Moscou.

 

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"O provocador programa causou um claro prejuízo à segurança e à estabilidade da região, aumentando significativamente o nível de tensão em uma situação naturalmente já complicada", disse Andrei Nesterenko, porta-voz da chancelaria russa.

 

O porta-voz classificou como "vergonhosa e imoral" a atitude do canal Imedi e pediu aos observadores europeus e à comunidade internacional que condenem esse ato. "Na Geórgia, muitos acham que a provocação da Imedi não pôde ser realizada sem a autorização das autoridades", disse Nesterenko, insinuando a participação do governo no episódio. Segundo ele, o presidente georgiano Mikhail Saakashvili "não escondeu sua aprovação ao programa, o qual disse ser muito parecido com a realidade".

 

Na noite de sábado, foi exibido um noticiário informando que tanques russos estariam a caminho da capital Tbilisi, que o presidente Saakashvili havia sido assassinado e que líderes de oposição haviam se alinhado às forças invasoras. Foram levadas ao ar imagens da guerra travada em 2008 entre os dois países.

 

Um breve aviso levado ao ar pouco antes do programa dizia tratar-se de uma "simulação" dos desdobramentos possíveis de uma eventual invasão russa, mas o programa em si não trazia nenhuma advertência de que se tratava de uma simulação.

 

A transmissão do programa coincidiu com um dos frequentes cortes das linhas telefônicas móveis e fixas, o que contribuiu com o pânico instaurado entre os habitantes da região.

 

A Presidência divulgou um comunicado logo após a exibição das imagens dizendo que o presidente Saakashvili criticou o programa alarmista sem aviso prévio de que seria fictício em um país com uma guerra ainda na memória. O canal Imedi, entretanto, é dirigido por um empresário partidário de Saakashvili.

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