Família de Jean Charles critica investigação da Scotland Yard

Resultado dos relatórios, que afirmam que comissário-chefe não sabia da morte, é "inacreditável", diz parente

Efe,

02 de agosto de 2007 | 14h35

A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano em 2005 por agentes britânicos, disse nesta quinta-feira, 2, ser "inacreditável" que o comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, não tivesse sido informado a tempo da morte do rapaz.   Veja também:Chefe de polícia é inocentado Relatório confirma falhas graves no caso Jean Charles   A reação dos parentes de Jean Charles ocorreu depois da divulgação dos resultados do segundo relatório elaborado pela chamada Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC), organismo supervisor do trabalho das forças de segurança no Reino Unido.   A investigação determinou que a Polícia Metropolitana cometeu "graves deficiências" no caso, mas Ian Blair foi absolvido por mentir sobre a tragédia.   Uma das primas de Jean Charles, Patrícia da Silva Armani, afirmou que para a família do eletricista se trata de "um dos momentos mais difíceis" e lamentou que tenha passado "tempo demais" para se chegar a estas conclusões.   "Ninguém foi apontado como responsável de nada, ninguém será processado e permitiu-se que a Polícia fizesse sua própria vontade em um caso de assassinato. É uma enorme injustiça e muito vergonhoso", disse.   Segundo Patrícia, pessoas próximas ao brasileiro se sentem "muito insatisfeitas" e "decepcionadas" com os resultados da investigação e com o fato de que a morte de Jean Charles foi tratada, por assim dizer, como a de "qualquer animal".   Outro parente do eletricista, Alex Pereira, chamou de "inacreditável" que Ian Blair não tivesse sido informado a tempo do ocorrido.   Segundo a investigação, o comissário-chefe da Scotland Yard, acusado pela família de Jean Charles de enganar o público sobre o caso, foi absolvido por ter estado "quase totalmente desinformado" sobre os detalhes da tragédia.   "Este relatório mostra que a Polícia atuou de forma desastrosa e que os oficiais veteranos deveriam prestar contas. Tivemos que esperar dois anos e para nós é doloroso escutar que os agentes de mais categoria mentiram de forma deliberada", acrescentou.   Sobre a posição de Ian Blair, o primo de Jean Charles considerou que era "incrível" que o comissário-chefe não tivesse sido informado adequadamente no dia da tragédia. "Tinha que saber (do fato). Se não, não controlava seus agentes", ressaltou.   Jean Charles, que tinha 27 anos, morreu ao receber oito tiros (sete na cabeça e um no ombro) de agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres.   Os policiais confundiram Jean Charles com um dos terroristas que participaram dos atentados fracassados da véspera contra três estações de metrô e um ônibus da capital.   Esses ataques foram semelhantes aos cometidos em 7 de julho de 2005 contra a rede de transportes de Londres, que deixaram 56 mortos, incluindo os quatro terroristas suicidas, e 700 feridos.

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