Família de Jean Charles pede justiça dois anos após sua morte

Eletricista foi morto por engano pela polícia britânica, ao ser confundido com terrorista

Efe

22 Julho 2007 | 15h22

Os familiares de Jean Charles de Menezes pediram neste domingo, 22, que seja feita "justiça", durante uma vigília celebrada em memória do jovem na estação de metrô de Stockwell, em Londres. Menezes, brasileiro que morava e trabalhava como eletricista em Londres, foi morto por engano pela Polícia britânica, há exatamente dois anos.   Ativistas e amigos foram lembrar a morte do eletricista, que levou sete tiros na cabeça e um no ombro após ser confundido com um terrorista."Continuamos à espera de que se faça justiça, e voltaremos a este lugar todos os anos até que o caso termine", disse Patricia Armani da Silva, prima da vítima e que chorou no final da cerimônia.   Há exatamente dois anos, os agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard atiraram em Jean Charles, após o eletricista ter sido confundido com um dos terroristas que tinham participado do atentado contra três comboios do metrô e um ônibus no dia anterior.   Os ataques, que não causaram vítimas, já que apenas os detonadores explodiram, seriam uma réplica dos que ocorreram em 7 de julho contra a rede de transporte londrino, que deixaram 56 mortos - entre eles, quatro terroristas suicidas - e mais de 700 feridos.   A morte de Jean Charles foi lembrada com dor por dezenas de parentes e amigos próximos, em meio à indignação com as autoridades britânicas, com um minuto de silêncio diante de um santuário erguido em memória do eletricista.   Julgamento   A Polícia Metropolitana de Londres será julgada como corporação num tribunal em outubro, mas a Procuradoria já decidiu que eximirá de culpa criminal os 15 agentes envolvidos na morte.   A Scotland Yard terá que prestar contas pela polêmica política de "atirar para matar" em suspeitos de terrorismo, que foi aplicada na operação Kratos e custou a vida de Jean Charles.   Alex Pereira, outro primo do eletricista, afirmou que "essas pessoas deveriam ser julgadas individualmente, não a Polícia como conjunto, já que foram os policiais em comando que cometeram o erro".   Em maio, a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPPC, na sigla em inglês), encarregada de investigar o caso, declarou que onze desses policiais já eximidos da acusação também não seriam sancionados.   Agora, a comissão deve se pronunciar sobre os outros quatro agentes com cargos mais altos.   Indignação   Patricia Armani da Silva - que dividia o apartamento com Jean Charles, em Londres - afirmou estar indignada com a ausência de avanços no caso nos últimos anos.   "É um momento muito difícil, porque, após dois anos, a Justiça não fez nada. Nada foi resolvido. Ainda hoje há dúvidas sobre a morte de Jean Charles", disse.   Patricia disse que a família da vítima deveria ser tratada com respeito pelas autoridades do Reino Unido e os responsáveis precisam ser punidos.   "Isso não é um pequeno problema de saúde e segurança, mas é algo muito grave e que não deveria voltar a acontecer", acrescentou. As homenagens a Jean Charles começaram na sexta-feira à noite, quando foi colocada uma foto gigante dele no Parlamento britânico, com a frase "dois anos sem justiça".   Os familiares de Jean Charles farão amanhã um ato público no centro de Londres, em continuidade à campanha para que os responsáveis sejam punidos.

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