Thanassis Stavrakis/AP
Thanassis Stavrakis/AP

Fatores econômicos influenciam nas eleições parlamentares gregas

Dois grandes partidos devem entrar em negociações difíceis de coalizão após pleito

REUTERS

04 Maio 2012 | 13h19

ATENAS - Os gregos vão às urnas em uma eleição nacional no dia 6 de maio, possivelmente extravasando sua ira contra os dois partidos tradicionais que são amplamente responsabilizados pela difícil situação econômica do país.

Há apenas alguns grupos secundários contra o resgate financeiro do país. Os dois grandes partidos -o conservador Nova Democracia e o socialista Pasok- devem entrar em negociações difíceis de coalizão imediatamente após a eleição.

A questão é se eles vão ganhar cadeiras suficientes -151 ou mais das até 300 na disputa- para governar sem ter que depender de um ou mais dos partidos pequenos que se opõem ao resgate.

Veja os fatos econômicos que formam o pano de fundo para a eleição da Grécia de 6 de maio:

Economia

- A Grécia, que já foi resgatada duas vezes, está em seu quinto ano consecutivo de recessão e o PIB real já caiu mais de 13 por cento desde 2009.

- O presidente do Banco Central grego, George Provopoulos, disse que a economia vai encolher mais 5 por cento em 2012, aumentando a pressão sobre os gregos, já abalados com a austeridade e o desemprego recorde. O FMI espera uma contração de 4,5 a 5 por cento, dado o forte ajuste fiscal e as reformas no mercado de trabalho.

- Provopoulos projetou que o déficit em conta corrente da Grécia, um indicador importante que reflete a perda de competitividade econômica, vai cair de 9,8 por cento do PIB em 2011 para 7,5 por cento em 2012.

- O banco central calcula que, até o final de 2012, a economia terá recuperado até três trimestres da competitividade perdida durante o período 2001 a 2009. A Grécia se juntou ao euro em 2001 e passou por um boom de consumo impulsionado pelos baixos custos de empréstimos.

Medidas

- A Grécia assegurou em fevereiro um segundo pacote de resgate de 130 bilhões de euros, para ter financiamento até 2014.

- O acordo foi fechado depois que o país se comprometeu com cortes fiscais e reformas estruturais.

- O acordo também envolveu a maior reestruturação de dívida soberana já feita, na qual os investidores trocaram bônus por títulos de dívida de menor valor, eliminando 100 bilhões de euros da dívida de 350 bilhões de euros.

- Quem ganhar a eleição terá que concordar com cortes de gastos adicionais de 5,5 por cento do PIB, avaliados em 11 bilhões de euros para 2013-14, segundo o FMI.

Dívida e desemprego

- A dívida nacional aumentou de 159 bilhões de euros (210 bilhões de dólares) em 2002 para 350 bilhões de euros (464 bilhões de dólares) em 2011.

- Desemprego: o desemprego entre os jovens gregos com menos de 25 anos era de 21,5% em janeiro de 2008. Até dezembro de 2011, essa taxa havia subido para 50,4%.

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