Favorito à Presidência russa reitera oposição ao Kosovo

Dmitry Medvedev afirma que a Sérvia demanda suporte moral, político e de investimentos concretos no país

Agências internacionais,

25 de fevereiro de 2008 | 11h48

O candidato à Presidência russa apoiado pelo presidente Vladimir Putin, o vice-primeiro-ministro Dmitry Medvedev, reiterou que a Rússia seguirá contra a separação da província e apoiará a Sérvia na busca de uma saída para a atual situação. O encontro com o premiê Vojislav Kostunica aconteceu no mesmo dia em que cerca de 2 mil sérvios protestaram contra a independência de Kosovo no norte do novo país nesta segunda-feira, 25, onde atearam fogo contra bandeiras de países da União Européia e um retrato da secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice.   Kosovo faz o mundo pisar em ovos  Entenda o que está em jogo em Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs  Veja lista de países que reconhecem a independência do Kosovo  Vídeo de sérvias saqueando Belgrado é sucesso na internet   Embora a visita de Medvedev tenha focos econômicos, o favorito na corrida presidencial afirmou durante encontro com o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, que eles compreendem que a Sérvia é um único país, cuja jurisdição cobre todo o seu território. Kostunica e Medvedev participaram em Belgrado da assinatura de um acordo energético de cooperação e construção de um gasoduto na Sérvia e depois concederam uma entrevista coletiva.   O vice-primeiro-ministro russo disse que a declaração unilateral da independência do Kosovo "complicou a situação na província e no sudeste da Europa, e isso terá grandes conseqüências negativas em outras regiões" que enfrentam problemas de separatismo. "A Sérvia precisa do apoio não só moral e jurídico, mas também de investimentos e acordos concretos", disse Medvedev, o provável sucessor do atual presidente russo, Vladimir Putin. "Coordenaremos os esforços para (encontrar) a saída para esta situação", acrescentou Medvedev, depois de se reunir com o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica.   Medvedev insistiu em que a independência unilateral do Kosovo viola o sistema internacional de segurança e o sistema de direito internacional "que a humanidade tem construído por mais de cem anos". "A proclamação da independência não está em absoluta conformidade com o direito internacional, com as normas da ONU, com a Ata Final de Helsinque, e com a Resolução 1.244" do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Kosovo. Essa resolução inclui um plano de paz internacional pactuado após os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Sérvia pela crise do Kosovo, estabeleceu a administração da ONU nesse território e garantiu a soberania e a integridade territorial sérvia.   Protestos   Os quase 2 mil manifestantes levavam bandeiras com a inscrição "Kosovo é Sérvia" e acompanharam discursos de líderes opositores locais na cidade kosovar de Kosovska Mitrovica, dividida entre sérvios e albaneses. Os protestos acontecem todos os dias na mesma cidade desde a proclamação da independência, no último dia 17 de fevereiro.   Em Belgrado, Kostunica reiterou que o Estado de Kosovo "não existe", e que a Sérvia buscará "manter a jurisdição" nas áreas de população sérvia em Kosovo. "Não haverá estabilidade na região e no mundo até que essa a decisão seja anulada".   Kostunica disse ainda que a Sérvia não normalizará as relações com os países que reconheceram a independência de Kosovo até que eles recuem em suas decisões. Ele acrescentou que os protestos continuarão. O premiê sérvio também disse que a Sérvia "está sendo encorajada por um movimento no mundo em favor da defesa dos princípios básicos do direito internacional junto a muitos países, instituições e indivíduos de prestígio".

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