Fechamento de espaço aéreo europeu sobrecarrega sistema ferroviário

Nuvem de cinzas cancelou mais de 17 mil voos; ferrovias não absorvem demanda de passageiros

estadão.com.br

16 de abril de 2010 | 17h06

Painel da Eurostar avisa que apenas trens de sexta-feira e sábado estão disponíveis.

 

LONDRES - A operadora de trens Eurostar, que liga Londres a Paris e Bruxelas, ficou sobrecarregada nesta sexta-feira, 16, por conta da extrema procura dos passageiros pelo transporte devido ao fechamento do espaço aéreo europeu causado pela nuvem de cinzas expelidas por um vulcão no sul da Islândia.

 

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A empresa informou que todos os 58 trens estavam operando com lotação máxima, carregando entre 46 mil e 50 mil passageiros. Os serviços entre Paris e Londres foram abastecidos com mais três vagões de lotação para 750 pessoas, mas todos foram lotados rapidamente.

 

Outra linha de trem, a Thalys, que liga a França com a Bélgica e a Alemanha, operava com a lotação máxima e permitia a compra de passagens mesmo não havendo mais lugares nos trens.

 

Na França, os problemas com as operadoras ainda são agravados por conta de uma greve dos funcionários da ferrovia nacional que entra no 10º dia e com o início do período de férias na região de Paris, o que já costuma lotar os trens.

 

As linhas férreas da Europa são bastante usadas para o transporte dentro do continente, mas não estão preparadas para absorver a demanda dos aeroportos. A falta de uma previsão para a normalização dos serviços aéreos mantém a situação nas estações de trem, que devem permanecer lotadas durante dias.

 

Interrupção

 

A nuvem de cinza gerada pela erupção do vulcão Eyjafjallajoekull havia causado o cancelamento de 17 mil voos em toda a Europa da quinta até a manhã desta sexta, segundo a Agência Europeia para a Segurança na Navegação Aérea (Eurocontrol).

 

Estava previsto que 28 mil aviões circulassem na quinta-feira pelo espaço aéreo europeu, mas só 20 mil decolaram. Além disso, segundo as últimas previsões, nesta sexta apenas 11 mil voos vão poder voar, segundo as mesmas fontes. A Eurocontrol informou que os aeroportos de Londres e Amsterdã são os mais afetados até o momento.

 

O espaço aéreo permanece completamente fechado na Irlanda, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Estônia, o norte da França (incluindo todos os aeroportos de Paris), algumas zonas da Alemanha (Düsseldorf, Colônia, Hamburgo, Berlim e Frankfurt) e da Polônia (incluído o aeroporto de Varsóvia).

 

No Reino Unido, não há restrições de voos na Escócia e na Irlanda do Norte. Na Inglaterra e no País de Gales,  o espaço aéreo ficará fechado até às 13h local (9h de Brasília) de sábado, de acordo com oficiais da aviação. No entanto, o Serviço Nacional do Tráfego Aéreo do Reino Unido (NATS, na sigla em inglês), afirmou que há uma chance de haver chegadas e partidas nos aeroportos de Liverpool e Manchester, no norte da Inglaterra, por um prazo restrito durante a manhã.

 

A Suécia e Noruega afirmaram que voos no norte dos países estão permitidos, mas mantiveram o espaço aéreo fechado em ambas as capitais, Estocolmo e Oslo, respectivamente.

 

O responsável de imprensa da Eurocontrol, Kayla Evans, indicou que vários especialistas vigiam a evolução da nuvem que sai do centro do vulcão e que por enquanto se dirige rumo ao leste, para ver quando é seguro reabrir o espaço aéreo, mas "os dados mudam minuto a minuto". Segundo as últimas informações da própria entidade, cerca de 1,36 milhão de passageiros serão afetados só nesta sexta-feira pelos cancelamentos de voos na Europa.

 

Thomas Uber, porta-voz do aeroporto de Frankfurt, um dos maiores da Europa, disse que "ninguém sabe" quanto durará o fechamento do local, mas disse que a abertura deve ocorrer muito depois das previsões iniciais. "A nuvem está bem ao norte, mas estamos considerando o lado da segurança", disse.

 

Expansão

 

A Eurocontrol alertou para a possibilidade de a nuvem de cinza provocar "perturbações significativas" do tráfego aéreo no sul do continente no sábado. "A parte sul da Europa continua limpa, mas pode ser que a nuvem se expanda para essa região durante a noite", explicou em entrevista coletiva Brian Flynn, subdiretor de operações de Eurocontrol.

 

Conforme a agência, os problemas no tráfego aéreo devem continuar amanhã. "Não temos previsões além das 06h no horário local (1h em Brasília), mas dado que a nuvem avançou muito lentamente pensamos que é possível que amanhã as perturbações continuarão significativas", assinalou Flynn. "Na prática, perderemos 50% do movimento de passageiros na Europa", explicou Flynn.

 

Sem previsão

 

A atividade vulcânica do Eyjafjallajoekull, que começou na quarta, não dá sinais de que possa diminuir, e especialistas dizem a nuvem pode continuar a ser expelida por semanas. O Centro de Alertas Vulcânicos de Londres informou durante a tarde que as erupções "continuavam significativamente" e expeliam "episódicos" volumes de cinzas. Embora as quantidades de poeira não sejam conhecidas, a entidade afirmou que é difícil que as cinzas cheguem à altura de 35 mil pés, altitude padrão de voo para a maioria das aeronaves.

 

A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) também emitiu um comunicado anunciando que não há como prever a expansão da nuvem de cinzas. Segundo a entidade só será possível estipular a dissipação da poeira quando as atividades vulcânicas cessarem. O tempo que as erupções vão durar, porém, é indeterminado, segundo especialistas.

 

 

Com informações das agências Efe, Associated Press e Reuters

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