Feministas francesas atacam misoginia no caso Strauss-Kahn

Feministas francesas disseram que a mídia local tem sido inundada com comentários machistas desde a prisão do ex-chefe do FMI Dominique Strauss-Kahn, por acusações de ter tentado estuprar uma funcionária de um hotel de Nova York.

REUTERS

21 de maio de 2011 | 15h43

Organizações feministas publicaram uma petição dizendo que estavam "chocadas com a inundação diária de comentários misóginos feitos por figuras públicas" desde que o ex-ministro das finanças havia sido preso. Ele nega as acusações e está atualmente em liberdade sob fiança.

No comunicado, as feministas dizem que amigos e aliados de Strauss-Kahn minimizaram a situação da suposta vítima, na pressa de defender o membro do partido Socialista, que até sua queda estava cotado para derrotar o presidente Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais, em 2012.

O advogado da funcionária disse que sua cliente é uma viúva de 32 anos da Guiné, no oeste da África, e que tem uma filha de 15 anos.

"Nós não sabemos o que aconteceu em Nova York no sábado dia 14 de maio, mas sabemos o que tem acontecido na França na última semana. Estamos testemunhando um aumento repentino de comentários sexistas e reacionários, em meio à elite francesa", disseram os grupos em comunicado, no site do jornal Le Monde.

Organizada pelos grupos que incluem "Osez le feminisme" e "La Barbe", a petição foi assinada por mais de mil mulheres, incluindo a jornalista de TV Audrey Pulvar, cujo parceiro Arnaud Montebourg está concorrendo para ser o canditato do Partido Socialista no ano que vem.

"Há uma certa impunidade na França no que se refere a esse tipo de sexismo desinibido", disseram os grupos.

Os grupos afirmaram que 75 mil mulheres são estupradas na França todo ano e que a linguagem sexista em público tende a minimizar a gravidade do crime, transformando-o em um ato vago e relativamente aceitável.

As ativistas se referiram a comentários específicos, incluindo um do ex-ministro da cultura e aliado de Strauss-Kahn Jack Lang, que disse que o ex-chefe do FMI deveria ter sido solto antes sob fiança, considerando que "ninguém tinha morrido".

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