Filha de Elisabeth Fritzl encontra mãe e irmãos após coma

Vítimas do austríaco Josef Fritzl se reúnem pela primeira vez desde que escândalo de incesto foi descoberto

Efe e Reuters,

11 de junho de 2008 | 08h46

Kerstin, a mais velha dos filhos gerados durante os 24 anos em que Josef Fritzl prendeu e abusou da filha Elisabeth, se reuniu no domingo com a mãe e os irmãos após sair do coma induzido. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 11, por Albert Reiter, diretor da equipe médica que atendeu a jovem de 19 anos, submetida ao coma após ser internada, em 19 de abril, o que trouxe à tona o caso de seqüestro e abuso.   Segundo Reiter, em 15 de maio, Kerstin abriu os olhos pela primeira vez e mostrou reações emocionais. A partir daquele momento, os médicos permitiram as visitas da mãe, o que foi essencial para a recuperação da jovem, segundo o médico. Reiter disse que, graças à aplicação de técnicas modernas de medicina intensiva, como o coma induzido, Kerstin conseguiu se recuperar do quadro clínico de falha múltipla dos órgãos vitais.   "O encontro de Kerstin com a família foi um momento emocionante. Para nós foi um grande alívio a surpreendente recuperação da jovem", assinalou o psiquiatra Berthold Kepplinger, responsável pela clínica em que os ex-reféns recebem assistência psicológica. O médico explicou que as primeiras palavras de Kerstin após sair do coma induzido foram: "Olá. Uma nova vida".   O psiquiatra disse que as "duas partes da família" - as três crianças que viveram normalmente com os avôs e os que nasceram e permaneceram fechados no porão - têm um ritmo de vida diferente sobre o qual ainda "precisarão entrar em acordo". Em qualquer caso, todos os membros da família "estão muito felizes de estar pela primeira vez juntos", disse o advogado de Elisabeth, Christoph Herbst.    Sobre a relação com Josef Fritzl, os médicos disseram que o assunto está sendo tratado pelos terapeutas e que a atitude dos seis irmãos é "ambivalente", com atitudes diferentes entre os meninos e as meninas, mas não quiseram entrar em detalhes a respeito. Elisabeth, sua mãe, Rosemarie, e seus seis filhos se mudaram recentemente para um apartamento próprio, dentro da clínica e sob a vigilância e supervisão de pessoal médico e de segurança.   O pai e seqüestrador Josef Fritzl, detido em um centro penitenciário de Sankt Pölten, capital do estado da Baixa Áustria, continua em prisão preventiva, prolongada na sexta-feira passada. A internação de Kerstin levou à descoberta do elaborado crime, quando médicos apareceram na televisão pedindo a presença da mãe no hospital, pois eles precisavam de informações sobre o histórico médico da garota. Fritzl acompanhou então sua filha, Elisabeth, de 42 anos, ao hospital em 26 de abril.   Três das crianças, que têm entre 5 e 19 anos, estavam presas na cela. Outras três foram criadas por Fritzl e sua mulher, Rosemarie, como se fossem seus. Um deles morreu após o nascimento e foi incinerado pelo pai. Os promotores investigam o homem de 73 anos por coerção, estupro, incesto e pela morte do bebê, mas ainda não há acusação formal. A polícia diz que ele admitiu a incineração e o incesto.

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