Filho de Mitterrand é condenado por tráfico de armas para Angola

A Justiça francesa condenou nesta terça-feira Jean-Christophe Mitterrand, filho mais velho do ex-presidente francês François Mitterrand, por tráfico de armas a Angola durante a guerra civil no país africano.

REUTERS

27 de outubro de 2009 | 16h37

O caso, que ficou conhecido como "angolagate", discorre sobre os 790 milhões de dólares em vendas de armas para o presidente angolano Eduardo dos Santos, entre 1993 e 1998. Na época, o governo angolano lutava contra rebeldes da Unita, liderados por Jonas Savimbi.

Outras 41 pessoas foram acusadas em Paris de vender armas à Angola, desafiando um embargo de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), de receber pagamentos dos traficantes de armas e de usar sua influência para facilitar as vendas.

O julgamento lançou luz sobre um mundo de pagamentos secretos, feitos em dinheiro, e acordos discretos ligando a alta sociedade parisiense com uma das guerras mais duradouras da África.

O caso também foi um constrangimento para o governo francês, que está ávido em cultivar relações mais próximas com Angola, um parceiro comercial de importância crescente. Cerca de 70 empresas francesas estão estabelecidas no país africano, inclusive a gigante de petróleo Total, que é o segundo maior produtor de petróleo no país, depois da Chevron.

Os dois protagonistas do "angolagate" são o traficante de armas francês Pierre Falcone e o empresário russo-israelense Arkady Gaydamak. Ambos foram condenados por vendas ilegais de armas, fraude fiscal, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro e outros crimes.

Os dois foram sentenciados a seis anos de prisão, e Falcone foi preso assim que o juiz terminou de ler as sentenças --um processo que tomou perto de duas horas devido ao número de pessoas envolvidas. Gaydamak está foragido.

CONSELHEIRO DA ÁFRICA

Jean-Christophe Mitterrand, que era conselheiro do pai sobre questões relacionadas ao continente africano, foi inocentado da acusação de que facilitou o envio de armas para Angola, mas culpado por receber mais de 2 milhões de dólares de Falcone e Gaydamak para promover o interesse deles.

Ele recebeu uma pena de dois anos de prisão, que poderá ser cumprida em liberdade, e foi multado em 375 mil euros. Ele estava presente no tribunal para ouvir a sentença.

Charles Pasqua, ex-ministro do Interior, foi considerado culpado de aceitar dinheiro dos dois traficantes de armas, mesmo sabendo que era dinheiro sujo. Ele foi sentenciado a três anos de prisão.

(Reportagem de Estelle Shirbon)

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