Filho vê papel para Gaddafi em eventual novo governo, diz jornal

O líder líbio Muammar Gaddafi terá um papel importante num eventual novo regime que venha a ser formado em seu país, mas será preciso trazer sangue novo para assumir o controle e promover reformas, disse um filho dele na quarta-feira ao jornal britânico Financial Times.

REUTERS

23 de fevereiro de 2011 | 19h48

"Meu pai permaneceria como o grande pai que aconselha", disse Saadi Gaddafi por telefone desde Trípoli, acrescentando que 85 por cento da Líbia está "muito calma e muito segura."

Uma onda de manifestações contra o líder, no poder desde 1969, começou há cerca de uma semana, e grande parte do leste do país está sob controle dos rebeldes.

Saadi Gaddafi, que chegou a jogar futebol profissionalmente na Itália, disse ao Financial Times que o regime irá recuperar a parte leste do país "cedo ou tarde."

"Sim, há pessoas protestando contra o regime do meu pai. É normal. Todo mundo precisa ser livre para expressar sua opinião", afirmou ele na entrevista, publicada no site do jornal.

"Após este terremoto positivo, temos de fazer algo pela Líbia. Temos de começar a trazer sangue novo para governar nosso país."

Saadi disse, sem entrar em detalhes, que seu irmão Saif al-Islam está preparando uma nova Constituição e fará um anúncio em breve.

Até mil pessoas foram mortas na Líbia desde o início dos distúrbios, e Saadi Gaddafi declarou que navios e aviões foram usados para bombardear paióis de munição perto da cidade de Benghazi, no leste, mas que esses locais não ficavam perto de áreas habitadas.

Segundo ele, destruir as armas foi uma estratégia para que não caíssem em mãos erradas. Ele afirmou haver "milhares" de militantes da Al Qaeda na Líbia tentando controlar o leste do país.

Afirmou também que o Exército será mobilizado, se necessário, para proteger as instalações líbias de gás e petróleo.

"O Exército ainda é muito forte", disse ele. "Se ouvirmos alguma coisa, vamos enviar alguns batalhões. As pessoas vão ver o Exército, ficarão com medo."

(Reportagem de Michael Holden)

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