Forças da ONU anunciam retirada do norte de Kosovo

Porta-voz confirma saída após confrontos com manifestantes sérvios; pelo menos 100 pessoas foram feridas

Agências internacionais,

17 de março de 2008 | 07h54

As Nações Unidas afirmaram nesta segunda-feira, 17, que retirarão suas tropas da região norte de Kosovo após os confrontos entre os policiais da ONU e da Otan contra manifestantes sérvios que deixaram pelo menos 100 feridos, cerca de 20 deles oficiais das forças internacionais, segundo afirmou a agência France Presse. Mais de 50 pessoas foram presas.   Veja também: A disputa dos Bálcãs   Unidades de Polícia da missão das Nações Unidas no Kosovo (Unmik), com o apoio de forças da Otan, assumiram nesta segunda-feira, 17, o controle do edifício onde fica o Tribunal da parte norte de Mitrovica, que foi atacado por cerca de 1 mil sérvios. Segundo um porta-voz policial, 53 pessoas foram detidas depois da intervenção de vários policiais e soldados da Otan, que tiveram que recorrer a gás lacrimogêneo para dispersas as massas.   "Existem noticias de que possivelmente tenham sido usadas contra as forças internacionais armas de fogo e algumas granadas", disse o porta-voz Alexander Ivanko para a CNN. Ivanko afirmou ainda que as tropas da ONU podem continuar a controlar postos de entrada em Mitrovica, cidade dividida entre albaneses de Kosovo e sérvios.   O representante especial da ONU no Kosovo, Joachim Rücker, pediu apoio policial na sexta-feira passada, quando o tribunal foi atacado pela primeira vez, mas as forças de segurança preferiram negociar um acordo pacífico com os líderes da minoria étnica, que se nega a aceitar a soberania kosovar. Outro grupo de sérvios ocupou novamente na madrugada passada o edifício judicial, em protesto contra a independência do Kosovo, autoproclamada em 17 de fevereiro.   Há cerca de 120 mil sérvios em Kosovo, em meio a 2 milhões de habitantes de etnia albanesa. Na segunda-feira, completam-se quatro anos de uma onda de agressões de albaneses contra sérvios, que surpreendeu a Otan e deixou 19 mortos em dois dias, além de centenas de casas e igrejas queimadas. Foi este incidente que levou o Ocidente a começar a discutir uma solução definitiva para Kosovo, que desde 1999 era na prática um protetorado internacional, embora continuasse formalmente como uma província sérvia.   Matéria ampliada às 11 horas.

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