Forças da Otan e da ONU enfrentam sérvios em Kosovo

Sérvios usaram armas de fogoe granadas contra policiais da Organização das Nações Unidas(ONU) e soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte(Otan) em Kosovo, na segunda-feira, no pior episódio deviolência ocorrido ali desde que os albaneses da regiãodeclararam sua independência da Sérvia, um mês atrás. Segundo a Otan, seus soldados viram-se na mira de disparosde armas automáticas na cidade de Mitrovica, norte de Kosovo,em conflitos com os sérvios, contrários à independência. Oschoques começaram depois de uma unidade da polícia especial daONU, com o apoio de soldados da Otan, ter invadido uma corte daONU ocupada por sérvios na sexta-feira. Mitrovica tem população albanesa e sérvia. Meios de comunicação sérvios disseram que 70 civis tinhamficado feridos, além de 12 policiais da ONU e 12 membros dasforças de paz lideradas pela Otan (chamadas de Kfor). Os embates chamam atenção para o risco de o território deKosovo dividir-se por etnias como resultado de sua declaraçãode independência, em 17 de fevereiro. A Rússia, aliada da Sérvia, exigiu moderação da parte daOtan. E o governo sérvio afirmou estar realizando consultas coma liderança russa para a adoção de medidas conjuntas com ointuito de proteger a população sérvia que mora em Kosovo. O líder de um partido oposicionista da Sérvia disse que aOtan comportava-se como os ocupantes nazistas da Segunda GuerraMundial. Mas um porta-voz da aliança militar afirmou que asforças da Otan não cederiam ao que descreveu como atos deviolência realizados por gangues organizadas. Esse é o terceiro grande ato de desafio à autoridade daOtan e da ONU no norte de Kosovo, dominado pelos sérvios, desdeque os manifestantes queimaram dois postos de fronteira, no mêspassado. A União Européia (UE) viu-se obrigada a retirar umescritório seu daquela região por causa da ameaça de violência. O diretor de um hospital da Sérvia disse que três dossérvios feridos se encontram em estado grave, um deles tendorecebido uma bala na cabeça disparada por um "franco-atirador." Segundo um porta-voz da Otan, tiros de advertência tinhamsido disparados para o alto, não contra a multidão. Soldados da Kfor conseguiram mais tarde controlar a área. "A Otan condena da forma mais contundente a violência quese verificou no norte de Kosovo hoje", afirmou JamesAppathurai, porta-voz da Otan. "A Kfor responderá firmemente aquaisquer atos de violência, conforme dita o mandato das NaçõesUnidas", acrescentou. A Sérvia acusou a ONU e a Otan de terem usado forçaexcessiva. O primeiro-ministro interino da Sérvia, Vojislav Kostunica,acusou a Otan de "implementar uma política de força contra aSérvia" e disse que seu país e a Rússia discutiam a adoção demedidas capazes de interromper "todas as formas de violênciacontra os sérvios de Kosovo". A declaração gerou boatos sobre a possibilidade de a Sérviaconvidar soldados russos para ingressarem no norte de Kosovo,dominado pelos sérvios, como forças de paz. Essa ação minaria aautoridade da Kfor, criaria uma situação conflitiva e abriria apossibilidade de divisão do território. O presidente sérvio, Boris Tadic, lembrando os levantesalbaneses de 17 de março de 2004, quando 19 pessoas forammortas e centenas de casas de sérvios, queimadas, alertou parao risco de surgir um novo "pogrom" albanês contra a minoria de120 mil sérvios residentes em Kosovo. Tomislav Nikolic, do partido Radicais, o maior da Sérvia eda oposição, descreveu a ação das forças internacionais comoalgo "brutal e selvagem", segundo a agência de notícias Tanjug. Nikolic disse que aquela investida lembrava-o "do que oregime de ocupação nazista fez contra os sérvios" na SegundaGuerra Mundial. (Reportagem adicional de Fatos Bytyci, Shaban Buza e MarijaNovak)

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