Fortes medidas de segurança em Paris marcam Cúpula da UPM

Esquema inclui helicópteros em Paris e patrulhas navais pelo Rio Sena, que flui junto à fachada do Grand Palais

Efe

13 de julho de 2008 | 09h27

Uma forte mobilização de segurança com 18.000 policiais e militares protege neste domingo, 13, a Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM), e continuará na segunda-feira, 14, com o desfile militar de 14 de julho. Veja também: Cúpula da UPM abre nova era entre UE e Mediterrâneo Paz com palestinos está muito perto, diz Olmert Olmert quer negociações diretas de paz com a Síria Uma parte do centro de Paris, que engloba o Palácio do Eliseu (sede da Presidência), o Grand Palais (que recebe a cúpula) e o setor dos Champs-Elysées, situado entre os dois, está fechado a pessoas não autorizadas. Além disso, há medidas de segurança extremas nos hotéis que hospedam as delegações oficiais, entre elas as de Israel, Síria, Egito e Líbano, além do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O esquema inclui helicópteros em Paris e patrulhas navais pelo Rio Sena, que flui junto à fachada sul do Grand Palais. A cúpula ocorre na véspera de 14 de julho, dia da festa nacional da França e do habitual desfile militar que acontecerá amanhã nos Champs-Elysées, ao qual foram convidados os chefes de Estado e Governo presentes em Paris. Amanhã, será duplicado o número de helicópteros e de aviões de caça prontos para intervir. Um aparelho de combate da força aérea pode estar no ar e pronto para interceptar qualquer aeronave intrusa em 10 minutos.  Abertura Mais de 40 chefes de Estado e de Governo iniciaram neste domingo, 13, a Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM), em Paris, que busca abrir uma nova página na relação entre a União Européia (UE) e seus vizinhos mediterrâneos. "Temos todos a convicção de que o sonho europeu e o sonho mediterrâneo são inseparáveis", afirmou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em seu discurso de abertura. Sarkozy destacou as conquistas do Processo de Barcelona de cooperação euro-mediterrânea lançado nessa cidade em 1995, mas disse que chegou o momento de relançar a relação, com novos meios e "em pé de igualdade entre o norte e o sul". O presidente francês destacou o objetivo comum de conseguir a paz na região. "Vamos construir a paz no Mediterrâneo como construímos a paz na Europa", disse. A reunião lançará a União pelo Mediterrâneo, que busca aumentar a cooperação em pé de igualdade, com estruturas permanentes de Governo e a realização de projetos concretos de infra-estruturas. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, que exerce a Co-presidência da reunião, disse que "hoje demos um grande passo para nosso destino comum, e estou convencido de que iremos muito longe por esta via". Mubarak disse que os países do sul do Mediterrâneo têm atualmente 272 milhões de habitantes, que serão cerca de mais 100 milhões em 2030, e insistiu em que é preciso criar as infra-estruturas e os empregos para poder "reduzir a fratura" entre o norte e o sul "ao nível mais baixo possível". O presidente egípcio disse que o Processo de Barcelona teve "sortes diversas, sucessos e fracassos", e estes últimos foram devido aos "fracassos do processo de paz no Oriente Médio". Destacou as conquistas do Processo de Barcelona no terreno, com os acordos de associação, mas reconheceu que não foi possível fazer "tudo que queríamos". Neste sentido, Mubarak pediu ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e ao primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que sigam com o processo de paz para a formação de um Estado palestino. Esta cúpula transformou Paris na capital diplomática mundial durante este fim de semana, no qual Líbano e Síria anunciaram a abertura em breve de relações diplomáticas e houve uma reunião entre Abbas e Olmert. "Não vamos encontrar a paz esta tarde, mas é preciso buscá-la", disse Sarkozy. Israel e Palestina O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, prometeu neste domingo durante a UPM ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a libertação de um grupo de presos palestinos, informaram fontes israelenses. Olmert não precisou o número de prisioneiros a serem libertados, mas disse que é um "gesto de boa vontade" para com Abbas, que fez o pedido no encontro que tiveram em Paris, por ocasião da Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM). O primeiro-ministro israelense assegurou que seu país e os palestinos "nunca estiveram tão próximos de chegar a um acordo como agora". Líbano e Espanha O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e o presidente do Líbano, Michel Suleiman, mantiveram uma primeira conversa aproveitando sua presença na Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM), em Paris. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi o responsável, segundo fontes da delegação espanhola, apresentou os dois antes da sessão inaugural da Cúpula da UPM. Zapatero e Suleiman não tinham tido oportunidade de se conhecer, depois que o segundo foi eleito pelo Parlamento como presidente do Líbano, em maio. A Espanha mantém no Líbano 1.100 militares integrados na missão de paz da ONU nesse país, após o conflito entre Israel e a milícia xiita libanesa Hisbolá, em meados de 2006. A presença do presidente do Líbano em Paris recebeu neste sábado especial protagonismo, ao participar da entrevista coletiva conjunta com Sarkozy e o presidente da Síria, Bashar al-Assad, na qual foi anunciada a disposição síria e libanesa para estabelecer relações diplomáticas e abrir embaixadas em suas respectivas capitais.

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