França acusa Rússia de agir unilateralmente contra a Geórgia

Sarkozy afirma que Moscou tenta forçar mudança de fronteiras ao reconhecer independência de separatistas

Efe e Associated Press,

27 de agosto de 2008 | 13h13

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse nesta quarta-feira, 27, que é inaceitável que a Rússia tente mudar as fronteiras da Geórgia de modo unilateral ao reconhecer a independência das províncias separatistas pró-Moscou. O mediador do cessar-fogo entre Moscou e Tbilisi, que também ocupa a Presidência rotativa da União Européia (UE) advertiu ainda que as conseqüências do conflito no Cáucaso determinarão "por muito tempo" a relação do bloco com a Rússia.   Veja também: Rússia busca apoio da China para política contra a Geórgia Rússia envia navios de guerra à Geórgia Medvedev afirma que não buscou conflito   Bush critica Rússia por reconhecer separatistas Otan e UE condenam reconhecimento russo Entenda o conflito separatista na Geórgia   Sarkozy reiterou que as forças militares envolvidas no conflito na Geórgia devem voltar aos seus postos anteriores ao início dos combates, como determina o cessar-fogo assinado por Moscou e Tbilisi. "Ninguém quer o retorno da Guerra Fria", afirmou o presidente francês durante a conferência anual de embaixadores franceses.   "Para os europeus, não pode haver e não haverá outra solução a não ser a baseada no direito, em um diálogo que inclua todas as partes interessadas, e no respeito à soberania, independência e integridade territorial da Geórgia em suas fronteiras reconhecidas internacionalmente", afirmou. Sarkozy lembrou que a UE condenou com firmeza na terça-feira a decisão russa de reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul.   Após afirmar que "foram necessários séculos de confrontos e duas guerras mundiais na Europa para que o continente entendesse que paz e prosperidade são construídas com vizinhos cujos interesses são respeitados e levados em conta", Sarkozy afirmou que é o enfoque proposto pela Europa à Rússia e aos Estados europeus não-membros da UE. "A Otan não é um adversário, mas um parceiro da Rússia. Já a União Européia pretende construir com esse país uma relação densa e positiva. Cabe hoje à Rússia fazer uma escolha fundamental", disse Sarkozy.   O presidente francês afirmou que Paris e seus parceiros da UE demonstraram com suas iniciativas o quanto desejam que essa escolha seja "a do entendimento e da cooperação, respeitando os princípios da Carta" da ONU e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce). A cúpula extraordinária dos líderes da UE convocada para a próxima segunda-feira será "a ocasião para que os 27 países da União definam uma linha comum nesta questão essencial de nosso futuro e da relação com a Rússia".   O líder francês também defendeu a abertura "o mais rápido possível" das conversas internacionais, previstas no ponto 6 do acordo de cessar-fogo, sobre "as modalidades da segurança e estabilidade na Abkházia e Ossétia do Sul".

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