França alega que 'livre circulação' na Europa não pode ser incondicional

Ministro de Imigração defende política de deportação de ciganos ante comissão

Efe

31 de agosto de 2010 | 15h01

BRUXELAS - O ministro de Imigração da França, Eric Besson, afirmou nesta terça-feira, 31, em Bruxelas que a liberdade de circulação na Europa não pode ser "incondicional" em referência à deportação de milhares de ciganos procedentes da Romênia e da Bulgária ordenada pelo governo.

 

"O direito europeu da liberdade de circulação é extraordinário, mas não pode ser incondicional nem tampouco um pretexto para a realização de atividades ilícitas, em particular o tráfico de seres humanos", afirmou Besson depois de se reunir com as comissárias europeias de Interior (Cecilia Malmstrom) e Justiça (Viviane Reding).

 

Besson defendeu a compatibilidade das deportações com o direito comunitário, a legislação francesa e com os "valores da República" e acrescentou que a lei foi seguida "escrupulosamente".

 

Nesse sentido, o ministro afirmou que nem nas diretrizes comunitárias e nem no Tratado de Lisboa existe algum artigo que afirme que a liberdade de circulação equivalha "à regularização de todos os cidadãos comunitários em situação irregular".

 

Besson concordou com as comissárias em trabalhar para reforçar a cooperação judicial mútua e lutar contra as máfias que traficam seres humanos. Ele também se disse disposto a criar um plano de integração da comunidade cigana na União Europeia.

 

O presidente Nicolas Sarkozy lançou no dia 28 de julho uma estratégia de combate à delinquência e à imigração ilegal. Na ocasião, anunciou o desmantelamento da metade dos acampamentos ilegais no país em um prazo de três meses.

 

No total, 15 mil pessoas da comunidade cigana vivem em acampamentos na França. Para Laurent El Ghozi, da entidade que reúne o grupo na Europa, Sarkozy não conseguirá expulsar os 700 que prometeu, mesmo que tenha destruído 51 acampamentos. Isso porque a viagem é voluntária e parte dos que viviam nos lugares destruídos simplesmente fugiu.

 

Os ciganos representam um grupo de entre 10 milhões e 12 milhões de pessoas na União Europeia. A primeira onda de migração teria ocorrido há mil anos na região onde hoje é a Romênia. A partir de 1450, os ciganos alcançaram cidades da Europa Ocidental.

Tudo o que sabemos sobre:
CiganosFrançaBessonUnião Europeia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.