França aprova lei que penaliza negação do genocídio armênio

A França aprovou nesta segunda-feira uma lei que torna ilegal a negação do assassinato em massa de armênios por turco-otomanos quase um século depois do genocídio, irritando a Turquia que ameaçou uma "total ruptura" dos laços diplomáticos.

JOHN IRISH E EMILE PICY, REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 23h07

Os senadores aprovaram por 127 votos a 86 a lei que proíbe a negação do genocídio depois de quase seis horas de debate. A Câmara já havia aprovado o projeto em dezembro, o que fez a Turquia suspender todos os encontros econômicos, políticos e militares com a França e chamar de volta o seu embaixador em Paris para consultas.

A lei havia sido redigida de modo mais generalizado a fim de penalizar a negação de qualquer genocídio, em parte na esperança de acalmar os turcos. Mas a Turquia condenou a aprovação da lei e afirmou que tomaria ações permanentes contra a França, um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A lei agora vai para a sanção do presidente francês, Nicolas Sarkozy. Segundo o governo turco, a medida é uma aposta de Sarkozy para conquistar o voto de 500 mil armênios na França na eleição presidencial de 22 de abril.

A Armênia, apoiada por muitos historiadores e parlamentos, afirma que cerca de 1,5 milhão de cristãos armênios foram mortos onde agora é o leste da Turquia durante a Primeira Guerra Mundial em uma política deliberada de genocídio ordenada pelo governo otomano.

O Império Otomano foi dissolvido após o fim da guerra, mas os governos turcos sucessivos e a vasta maioria dos turcos acreditam que a acusação de genocídio é um insulto direto à nação. O governo turco argumenta que houve uma grande perda de vidas em ambos os lados durante os confrontos na região.

A lei prevê uma multa máxima de 45 mil euros e um ano de prisão para quem descumpri-la. A França aprovou uma lei reconhecendo o assassinato de armênios como genocídio em 2001.

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