França assume a UE em meio a dificuldades e críticas

Presidente polonês diz que não assinará Tratado de Lisboa; Sarkozy critica comissário de Comércio

BBC, Efe e Reuters

01 de julho de 2008 | 18h11

No primeiro dia do mandato de seis meses da França na presidência da União Européia, a França já foi obrigada a enfrentar diversos obstáculos que têm causado preocupação no bloco nos últimos meses. O país assumiu a presidência rotativa nesta terça-feira, 1.   Na Presidência da UE, França quer restringir imigração Presidente polonês diz que tratado não faz sentido Entenda o referendo e o Tratado de Lisboa Parlamento ataca presidente polonês por criticar tratado da UE Mercosul rejeita novas regras de imigração da UE   O mais delicado deles talvez tenha sido a declaração do presidente polonês Lech Kaczynski, que disse que não assinaria o Tratado de Lisboa depois da vitória do 'não' no referendo irlandês no mês passado. Para entrar em vigor, o tratado precisa ser aprovado pelos 27 países membros do bloco.   Kaczynski ajudou a negociar os termos do tratado, mas seu partido está agora em oposição a ele. O primeiro-ministro polonês Donald Tusk tentou apaziguar e disse que a ratificação do tratado é do interesse da Polônia.   "Não imagino que o presidente que assinou o documento em Bruxelas e Lisboa possa agora contrariar sua própria assinatura", reagiu o presidente francês Nicolas Sarkozy ao assumir a presidência rotativa da UE.   Junto com o chefe da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, o novo presidente da UE disse ter certeza de que Kaczynski é um homem 'honesto' e que vai cumprir seu compromisso perante os outros 26 chefes de Estado da UE.   Barroso disse que apoiará a presidência da França, mas aproveitou para responder às críticas feitas na última segunda-feira, 30, por Sarkozy ao Banco Central Europeu. O francês critiou o órgão por se concentrar na luta contra a inflação e não dar tanta atenção ao crescimento econômico. "A inflação deve ser combatida pois é a primeira ameaça aos poder aquisitivo dos cidadãos", respondeu Barroso.   Sarkozy também criticou na segunda-feira o comissário de comércio do bloco, o britânico Peter Mandelson, a quem acusou de querer impor na Organização Mundial de Comércio um acordo que reduza a produção agrícola européia. O novo presidente disse que não aceitaria uma acordo que sacrificasse a agricultura européia em nome do livre-comércio. As negociações da rodada de Doha começaram há sete anos.   Como resposta, Mandelson pediu nesta terça-feira que os países da Europa se unam na luta por um acordo de comércio global e disse que está sendo desautorizado pelas críticas de Sarkozy.   "É um grande problema, porque, como negociador da UE, eu preciso de uma unidade dos membros me dando apoio", disse Mandelson em Paris, que ressaltou que o bloco busca um acordo que seja justo para todos, inclusive a UE.   A França tem se oposto ao corte das tarifas de importação de produtos agrícolas para a Europa que Mandelson oferece nas negociações em troca de um maior acesso de produtos industrializados europeus a mercados como o Brasil e a Índia.   Imigração   Sarkozy também disse que uma das marcas do mandato da França na UE será a busca pela aprovação de um 'pacto' comum sobre a imigração, informou a BBC.   Entre as medidas do pacto está a criação de dificuldades para a regularização maciça de estrangeiros sem documentos e a busca de um maior controle na fronteiras. O plano será anunciado em uma reunião ministerial em Cannes nos dias 7 e 8 de julho.   "A França, ou a Europa, não vão aceitar toda a miséria do mundo", disse Sarkozy na segunda-feira segundo a BBC.   As medidas podem criar mais atritos entre o bloco europeu e os países sul-americanos, que já criticaram as medidas que endurecem o tratamento aos imigrantes ilegais aprovadas no mês passado pelo Parlamento Europeu.

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