França condiciona negociações ao fim da greve no transporte

Governo diz que negociações não terão início enquanto os trens não voltarem a circular em todo o país

Efe,

15 de novembro de 2007 | 19h56

O governo francês colocou o fim da greve como condição para o início das negociações com os sindicatos, cuja paralisação causará na sexta-feira, 16, problemas a milhões de usuários de transporte público pelo terceiro dia consecutivo. "Há dúvidas de êxito nas (negociações com) as organizações sindicais, e o objetivo agora é sair da greve e entrar em negociações nas empresas", afirmou o ministro do Trabalho, Xavier Bertrand. O ministro, que chegou a pedir aos dirigentes sindicais para desconvocar a greve, afirmou que as negociações não terão início enquanto os trens não voltarem a circular em todo país, além da volta à normalidade em metrôs, ônibus e bondes na região de Paris. A paralisação provocou hoje mal-estar entre os passageiros. Em resposta, os sindicatos Sociedade Nacional de Ferrovias (SNCF) pediram às assembléias gerais que se reunirão amanhã para paralisarem as operações também no sábado. Além disso, as centrais pediram a Bertrand que realize a primeira reunião amanhã, com participação das empresas, a fim de "fixar o marco das próximas negociações, para indicar o método" e estabelecer datas. Essa reação sindical ocorreu devido ao descontentamento de uma parte das bases, que em assembléias gerais realizadas esta manhã nos principais centros de trabalho da SNCF tinha votado a continuação da greve amanhã, pelo terceiro dia. No caso da companhia que administra o transporte metropolitano de Paris, a RATP, os principais sindicatos pediram aos trabalhadores para continuar com a greve, que desde o início apresenta caráter indefinido. O primeiro-ministro, François Fillon, pediu "responsabilidade" e o fim da greve. "Cada (parte) deu um passo na direção do outro e, portanto, agora a negociação tem que começar". Fillon disse que é "indiscutível" o eixo da reforma, que pede o aumento do período de trabalho - de 37,5 para 40 anos - que dá direito a uma aposentadoria completa nos regimes especiais para ficar igual a do resto dos trabalhadores. Ele afirmou que tem o apoio de "uma imensa maioria dos franceses". A SNCF e a RATP prevêem que amanhã haverá uma "melhora" nos serviços para os usuários, já que o número de grevistas deve diminuir. A direção da SNCF afirma que o número de grevistas será 42,8% - enquanto a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) diz que chegará a 46% - contra 61,5% do dia anterior. Na RATP, 27,2% continuarão em greve, comparados aos 44% de quarta-feira. O protesto repercutiu fortemente nos usuários de trens e de transporte urbano em Paris, onde muitos passageiros se irritaram e o trânsito teve uma intensidade maior que a habitual, com retenções de dezenas de quilômetros de manhã e à tarde. Nas empresas Eletricidade da França (EDF) e Gás da França (GDF), o número de funcionários que continuaram em greve foi ainda menor, com 4,4% e 4,2%, segundo dados da direção, frente aos 36,7% e 37,4% de quarta-feira. No entanto, a RATP colocará apenas um em cada cinco carros de metrô em funcionamento, uma proporção semelhante de ônibus e muito poucos trens nos arredores. A direção da SNCF programou para sexta 250 trens de alta velocidade dos 700 de um dia normal - esta quinta foram 150 e, na quarta-feira, apenas 90 -, além de mil comboios regionais e 2,3 mil ônibus. Os trens Elipsos que conectam Paris a Barcelona e a Madri continuarão parados na noite de quinta-feira para sexta-feira e na de sexta até sábado. Cerca de meio milhão de trabalhadores, basicamente da SNCF, da RATP, das empresas públicas energéticas (EDF e GDF) e secretários de cartório, fazem parte dos regimes especiais.

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