França considera 'enorme erro' ataque da Otan no Afeganistão

Bombardeio que visava enfraquecer Taleban deixou 90 mortos, entre eles civis; grupo promete investigação

Efe,

05 de setembro de 2009 | 08h49

O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, qualificou neste sábado, 5, de "enorme erro" que deve ser investigado o recente bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, que deixou 90 mortos, entre eles civis. Em declarações aos jornalistas antes de participar do segundo dia do conselho informal de ministros de Exteriores realizado em Estocolmo, Kouchner acrescentou: "devemos trabalhar com os afegãos e não bombardeá-los, ou não só bombardeá-los. É preciso denunciar as responsabilidades e investigar."

 

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O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse na sexta que "ainda não está claro" se houve vítimas civis no bombardeio aéreo de ontem à noite na província afegã de Kunduz, e anunciou uma investigação do caso. "Houve um ataque aéreo da Isaf (Força Internacional de Assistência à Segurança) contra os talebans durante a noite. Alguns talebans morreram e há uma possibilidade de que civis também tenham morrido, mas ainda não está claro", disse Rasmussen, em uma declaração na sede da Aliança Atlântica.

 

O incidente ocorreu na sexta, província de Kunduz, depois que um grupo de insurgentes roubou um caminhão de combustível, relatou à Agência Efe uma porta-voz da Isaf. Neste sábado, os chefes da diplomacia europeia exploram novos métodos para aumentar as capacidades do novo governo do Afeganistão.

 

Para Kouchner, as forças da coalizão devem "pagar mais às Forças Armadas afegãs, aumentar o número de soldados, e, assim que for possível, dar-lhes a direção de sua própria segurança". Segundo o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Javier Solana, "sem dúvida, a situação (no Afeganistão) não é fácil."

 

Neste sentido, mostrou seu interesse em saber como funcionará o novo governo, após as eleições de 20 de agosto. A UE quer cooperar com o governo afegão, a fim de desenvolver as instituições estatais e fortalecer o estado de direito. A opinião da UE é que "uma conferência internacional em Cabul assim que o novo governo tomar posse" seria um bom ponto de partida para um pacto entre o Afeganistão e a comunidade internacional.

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