França critica comissária da UE após comentários sobre expulsão de ciganos

Secretário diz que Viviane Reding derrapou ao comparar o país com França da 2ª Guerra Mundial

Efe

15 de setembro de 2010 | 05h42

PARIS - O secretário de Estado francês de Assuntos Europeus, Pierre Lellouche, disse nesta quarta-feira, 15, que a comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, "derrapou" ao comparar a política da França de expulsão de ciganos com a situação da Segunda Guerra Mundial.

 

"Como filho de alguém que lutou pela liberdade francesa, não posso permitir à senhora Reding que diga que a França atual se parece com a França de Vichy, ninguém pode falar de Segunda Guerra Mundial", disse ao canal televisivo RTL.

Reding se mostrou muito critica à política francesa de expulsão de ciganos, e anunciou que a levará perante a Corte de Justiça da União Europeia.

"Eu acreditava que a Europa não voltaria a ser testemunha deste tipo de situações depois da Segunda Guerra Mundial", disse a comissária.

"Quero acreditar que a paixão superou seu pensamento. Uma passagem de avião para um país de origem da UE não é um trem da morte, não são as câmaras de gás. Essa 'derrapada' não é conveniente", rebateu Lellouche.

O secretário de Estado disse ainda que a Comissão Europeia tem direito a lembrar a cada país quais são suas obrigações mas "não pode se portar como censora dos Estados".

 

Na terça, Viviane chamou as políticas de redução de criminalidade e imigração ilegal empreendidas pelo governo de Nicolas Sarkozy como vergonhosas. "Nenhum estado membro pode esperar um tratamento especial quando o que está em questão são os direitos humanos", disse a comissária.

 

O embaixador francês na ONU em Genebra, Jean-Baptiste Mattei, defendeu a política de seu país. "As autoridades francesas nunca estigmatizaram pessoas pertencentes a uma minoria em função de sua origem. Não há um 'problema cigano', mas cidadãos europeus mais desfavorecidos que outros, que têm dificuldades de inserção e que merecem atenção particular", afirmou.

 

As autoridades francesas dizem que a deportação dos ciganos é voluntária e rebatem as críticas dos órgãos internacionais e da oposição dizendo que o processo ocorre dentro das leis europeias e francesas.

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