França e Rússia querem discussão maior sobre moeda de reserva

França e Rússia pediram no domingo um debate sobre as moedas de reserva, dizendo que o sistema atual, dominado pelo dólar norte-americano, está desatualizado.

ANNA WILLARD, REUTERS

05 de julho de 2009 | 12h30

A Rússia disse, porém, que não existe no momento nenhum substituto evidente para o dólar e o euro, e o diretor do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, disse que é importante que os Estados Unidos conservem o compromisso de manter sua moeda forte.

Líderes do Grupo dos Oito principais países industrializados e das principais economias em desenvolvimento do mundo vão se reunir entre 8 e 10 de julho na cidade italiana de L'Aquila.

A China vem pressionando para que as moedas de reserva sejam discutidas na reunião.

"Devemos estudar uma coordenação melhor das políticas de divisas que possa levantar no médio prazo a questão do equilíbrio de taxas de câmbio e o papel das moedas, que vêm mudando tanto em decorrência da crise quanto do papel desempenhado pelos mercados emergentes", disse a jornalistas numa conferência a ministra da Economia da França, Christine Lagarde.

Vários países de mercados emergentes vêm dizendo que querem rever o papel do dólar e buscar um sistema monetário internacional mais diversificado.

"O sistema do dólar ou o sistema baseado no dólar e no euro vêm mostrando que há falhas. Mas sou realista e compreendo que não existe hoje uma alternativa ao dólar e a moeda europeia", disse o presidente russo, Dmitry Medvedev em entrevista à mídia italiana.

"É preciso haver mais moedas de reserva. Por isso achamos que é preciso discutir a criação de moedas de reserva regionais."

Na sexta-feira, Suresh Tendulkar, presidente do conselho de assessoria econômica do primeiro-ministro indiano, disse que o peso do dólar na cesta de moedas que ajuda a fixar a taxa da moeda indiana parcialmente conversível, a rúpia, pode ser reduzido.

Até agora o dólar era considerado a principal moeda de reserva na Índia, disse ele, acrescentando que isso pode mudar.

Mas o presidente do Banco de Desenvolvimento Asiático, Haruhiko Kuroda, disse no domingo que é importante que os desequilíbrios globais sejam solucionados gradativamente.

Jean-Claude Trichet, do BCE, disse esperar que os EUA continuem a apoiar a moeda americana forte.

"Tenho apenas uma mensagem a transmitir. É extremamente importante que os Estados Unidos... vem dizendo que um dólar forte é do interesse dos Estados Unidos", disse Trichet.

"Considero isso extremamente importante e saúdo essa declaração", ele acrescentou.

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