França e Turquia pedem maior pressão internacional sobre a Síria

França e Turquia pediram nesta sexta-feira maior pressão internacional sobre a Síria para acabar com a violenta repressão aos opositores do presidente Bashar al-Assad, enquanto ativistas disseram que as forças de segurança mataram cinco pessoas que protestavam depois das orações nas mesquitas.

TULAY KARADENIZ, REUTERS

18 de novembro de 2011 | 12h11

O ministro de Relações Externas da França, Alain Juppé, afirmou duvidar que a Síria responda positivamente a uma iniciativa da Liga Árabe que visa parar com o derramamento de sangue, que já matou mais de 3.500 pessoas, de acordo com a Organização das Nações Unidas.

A Liga Árabe suspendeu a Síria e deu ao país prazo até o final da semana para cumprir o plano de paz árabe, que implica uma retirada militar de todas as cidades sírias, ameaçando com sanções caso Assad não aja para deter a violência.

Juppé, falando ao lado do ministro de Relações Exteriores turco, Ahmed Davutoglu, disse que a França estava pronta para trabalhar com a oposição síria e que sanções mais duras eram necessárias.

Ele também disse ser contra qualquer intervenção unilateral na Síria, mas deixou a porta aberta para uma ação mais ampla, afirmando que qualquer movimento nesse sentido deve ter mandato da ONU.

Centenas de pessoas foram mortas na Síria, incluindo civis, desertores do exército e forças leais a Assad, desde que o país concordou em 2 de novembro com a retirada de tropas das áreas urbanas e a libertação de presos políticos, de acordo com a iniciativa da Liga Árabe.

A Síria argumenta que está tentando implementar o acordo, mas pediu aos países vizinhos que façam mais para conter o fluxo de armas que chega à oposição e acabar com o que eles alegam ser uma campanha da mídia de incitamento contra as autoridades sírias.

O país também convidou a Liga Árabe para trazer observadores civis e militares para monitorar os acontecimentos em terra.

Nesta sexta-feira, a entidade Observatório Sírio para Direitos Humanos informou que as forças de segurança mataram pelo menos cinco manifestantes e deixaram dezenas de feridos, quando atiraram para dispersar protestos nas cidades de Deraa, Homs, Hama e no subúrbio de Erbin, em Damasco.

Tropas sírias bombardearam duas aldeias do norte durante a noite depois de um ataque de desertores do exército contra as forças leais a Assad, relataram ativistas locais nesta sexta-feira. Oito moradores foram feridos em disparos feitos por tanques e pelo lançamento de granadas de morteiros ao longo de três horas em Tal Minnij, Maarshamsheh e terras vizinhas, disseram os ativistas.

França, Grã-Bretanha e Alemanha planejam pedir ao comitê de direitos humanos da Assembleia Geral da ONU que aprove uma resolução condenando a violência na Síria, antes de colocar a medida em votação em uma sessão plenária da Assembleia.

O embaixador do Irã no Líbano disse que a crescente pressão internacional não iria derrubar o governo da Síria.

"Estas ameaças não darão qualquer resultado", afirmou Ghadanfar Roken Abadi na sexta-feira. "Intensificar essas ameaças ... só aumenta nosso entusiasmo por uma união popular com a Síria, que tem visto mais de 10 milhões de pessoas saírem às ruas para mostrar seu apoio ao regime sírio."

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